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[Objection!] A Nintendo através dos anos

         

        Quem acompanha o mercado a muitos anos sabe que a Nintendo já foi a força dominante dos games por muito tempo. No passado, o mercado era pulverizado em várias plataformas que tentavam encontrar seu espaço no promissor mercado de games, mas a inexperiência da maioria acabava por trazer consoles e jogos caros e deficientes em vários aspectos.

        Até que surge a Atari. A Atari tomou o mercado e se tornou a maior empresa de games de sua época. O sucesso nos EUA foi estrondoso, o console tinha um preço razoável e jogos divertidos, nada podia dar errado. Ninguém era ameaça para a Atari e a empresa dominou sozinha até o Crash de 84.

        O que observamos desta história é que a Atari acabou por tropeçar nas próprias pernas. Sem concorrência, a empresa não tinha porque se esforçar em inovar ou melhorar, pois achava que dominaria o mercado de games para sempre. Mesmo tendo lançado consoles posteriormente, nenhum deles chegou sequer à sombra do Atari 2600.

        O Japão, porém, já se divertia com o NES desde 83. A Nintendo lançou seu console por lá pensando em trazer seus jogos de sucesso nos arcades para a casa de todos os japoneses. Com uma qualidade muito superior ao Atari, o NES foi um grande sucesso no Japão e foi recebido muito bem pelo publico e pela crítica com jogos de qualidade encabeçados pela prata da casa : Super Mario Bros. Por culpa do Crash, o NES só chegou aos EUA em 1985.

        A Nintendo, porém, não ficou sozinha na briga. Naquele mesmo 85, aquela que viria ser a sua maior rival, a SEGA, lança o Master System e pela primeira vez uma líder de mercado tem um concorrente a altura em qualidade e vendas. O Master System era superior em quase tudo que o NES oferecia, mas os 2 anos de vantagem do NES pavimentaram sua estrada para o sucesso e o mantiveram no topo pela qualidade dos jogos da própria Nintendo e pelo apoio de empresas como Namco, Capcom, Konami e Square.

        A SEGA, porém, contra atacou se lançando na nova geração antes da Nintendo e o Mega Drive teve os seus 2 anos de vantagem em relação ao Super Nintendo, mas não conseguiu superar o console da concorrente. Como? Hype! No Japão, praticamente toda a família tinha um NES, mesmo depois do lançamento do Mega Drive, o NES continuou com força pois jogos de grande qualidade saiam para o console e a Nintendo já colocava na mente de seus consumidores que o Super NES seria uma revolução.

        E foi! A parceria com grandes empresas de games se manteve e, naquela época, já haviam também as gigantes norte americanas como a EA e europeias como a Infogrames. E apesar de o Mega Drive ter excelentes jogos, principalmente da própria SEGA, o Super NES nos trouxe Super Mario World, F-Zero, PilotWings, Final Fight, Final Fantasy, Chrono Trigger, Zelda: Link to the Past, Super Metroid, Castlevania e Street Fighter II.

        O Super NES foi um grande sucesso da Nintendo e a consolidação da empresa como líder de mercado pela segunda geração seguida. As ações estavam em alta, todos falavam da Nintendo e da sua habilidade de criar jogos fantásticos. A SEGA se adiantou mais uma vez e lançou o seu Saturn, com gráficos impressionantes e a habilidade de rodar CDs. A Sony entrou no mercado de games com o PlayStation, mas o Super NES continuava firme empolgando o público com jogos como Star Fox, Donkey Kong Country e Mega Man X. A Nintendo era líder mesmo com um console atrasado.  Com o lançamento de um novo console, nada poderia dar errado!

  

        Parece familiar? Aonde já vimos esta história antes? Um dos grandes pecados da humanidade sempre foi a soberba. A Nintendo estava com a bola toda e estava convencida de que venderia tudo o que lançasse. Com quase 2 anos de atraso, em 96, a Nintendo lança do Nintendo 64, um console mais poderoso que os concorrentes Saturn e PlayStation. O console, porém, ainda utilizava os cartuchos como mídia, mais caros, porém, mais difíceis de se piratear, visto que Saturn e, principalmente o PlayStation eram facilmente desbloqueados para rodar jogos piratas e este era o grande medo da Nintendo. Medo que lhe custou a liderança do mercado.

        A Sony, em sua primeira tentativa, conseguiu o que a SEGA não conseguiu em 2 gerações. Tirar a coroa da Nintendo e assumir como líder daquela geração. Graças a sua inabilidade de ver que os CDs seriam o futuro (por serem mais baratos e terem mais espaço de armazenamento que os cartuchos) a Nintendo cometeu um erro estratégico e isso lhe custou a coroa. E em um péssimo momento. O mercado de games (a exceção do Brasil) crescia a passos largos na década de 90 e os videogames tinham seus consumidores da era Atari e NES já adultos e os jogos voltados a este público fizendo o mercado crescer assustadoramente, acima de quaisquer expectativas.

        E agora? Podemos considerar o Nintendo 64 um fracasso? Obvio que não, o console vendeu muito bem, se manteve firme como segundo lugar e revolucionou a maneira como jogamos. Naquela época os jogos 3D estavam engatinhando e muitos se perguntavam se Mario funcionaria em um ambiente 3D. Super Mario 64 veio para provar que o encanador se daria bem em 3 dimensões. Isso fora StarFox 64, F-Zero X, Smash Bros., Wave Race 64 e, claro, Zelda : Ocarina of Time. A Nintendo, também contou com uma grande aliada, a Rare, que na época era considerada a Pixar dos games e nos trouxe, Banjo-Kazooie, Conker, Donkey Kong 64, Killer Instinct e os eternos Goldeneye 007 e Perfect Dark. Apesar do apoio da Rare (que era first party, diga-se de passagem), a Nintendo perdeu o apoio de muitas de suas parceiras, como Konami, Namco e Square, que migraram para o PlayStation graças ao sucesso do console e os seus CDs. A perda mais dolorida foi mesmo a Square que cancelou a versão de Final Fantasy 7 para o Nintendo 64 e o lançou para o PlayStation se tornando um marco para o console da Sony. Isso fora Castlevania : Symphony of the Night.

        Veio o PlayStation 2 e o mundo como conhecemos nunca mais foi o mesmo. Os grandes clássicos das thirds tinham nova casa. E foi um massacre. Mesmo com um novo concorrente, a Microsoft com o seu Xbox e a saída da SEGA, que jogou a toalha com o Dreamcast, a Sony dominou aquela geração como ninguém. E detalhe, como hardware mais fraco. O GameCube era o console mais poderoso, seguido pelo Xbox e depois o PS2. Mas isso não valeu de nada. Todos estavam acostumados ao PlayStation, a Sony era líder e a Nintendo amargou pela primeira vez um terceiro lugar. Tudo bem que foi por pouco. O Xbox foi um sucesso razoável e conquistou o público norte americano, mas a Microsoft, malandra, sabia que deveria investir a longo prazo e logo começou a pensar naquele que seria o Xbox 360. Desta vez, a Sony já tinha seu caminho pavimentado para o sucesso, seu console era líder por larga vantagem, todos consideravam a Nintendo como um fracasso e a Microsoft não era ameaça. A Sony era a nova rainha e nada poderia dar errado!

        Pois é! Para variar, a história se repete. A Microsoft saiu na frente e lançou o seu Xbox 360 em 2005 e começa mais uma geração. O console foi muitíssimo bem recebido pelo público nos EUA pois teve uma linha de jogos muito interessantes no lançamento. O mercado japonês já estava em segundo plano e o Xbox afundou no Japão, apesar dos esforços da Microsoft. Isso, porém, não impediu que o console fosse um grande sucesso em todo o mundo, mesmo no Brasil que teve o seu lançamento oficial em 2006. Mas o hype todo estava em torno da máquina de guerra que seria o PlayStation 3, mesmo com o sucesso do Xbox e com 1 ano de vantagem da Microsoft, a Sony estava tranqüila pois sabia que ninguém seguraria o PS3. O console seria o supra sumo da tecnologia e, com certeza, ninguém se importaria de pagar US$ 499,00 pelo console.

        A Nintendo, ficou quieta por muito tempo. O GameCube foi um bom console, mas o terceiro lugar foi a gota d’água para aquela que já foi líder por muito tempo. Era hora de mudar, mas como segurar o poder do PlayStation 3? A Nintendo então, resolveu apostar em uma idéia no mínimo, estranha, mas que se desse certo, poderia ser a sua salvação.

        E o Wii tomou o mundo de assalto. O que era aquele controle, que parece um controle remoto de televisão e que tinha pouquíssimos botões. A Nintendo manteve o controle em sigilo absoluto, chegando a mostrar o console meses antes e fazendo mistério do que haveria de tão revolucionário em seu controle. Depois de muitos anos tentando voltar à liderança, a Nintendo, com a inovação que sempre soube fazer bem, finalmente conseguiu.

        Mas o preço foi alto. O Wii vendia como água, mas os jogos simplesmente não saiam. O console recebia ports de jogos de PlayStation 2, enquanto os concorrentes recebiam versões melhores desenvolvidas dos jogos. As thirds demoraram muito para entender o controle e como explorá-lo de forma criativa. Os bons jogos só vieram depois do lançamento do console.

        Mas isso não foi o pior. A grande inovação do Wii era o controle sensível a movimento e isso conquistou principalmente àqueles que não tinham hábito de jogar. Os não gamers salvaram a Nintendo, mas também vieram para destruí-la. A grande maioria destas pessoas se contentavam com o jogo que vinha no console, o Wii Sports, se divertiam e pronto, o console voltava para a gaveta. Poucos realmente investiram em jogos e a maioria encalhou.

        A Nintendo voltou ao topo, mas isso pode vir a acabar com ela. O Wii é um sucesso, sem dúvida, mas a empresa apostou em um público pouco fiel e pouco interessado em consumir games com mais freqüência e realmente investir na plataforma. No fim, a Nintendo demorou para perceber que deveria agradar primeiro ao público hardcore e depois dar opções ao público casual e tentar conquista-lo.

        Agora é ver o que vem por aí com o Wii U. Com certeza a Nintendo ainda tem cartas na manga para explorar e idéias para atrair de volta o público que perdeu. A conclusão que chegamos é que nunca devemos subestimar uma empresa como a Nintendo, em dada hora ela inova, em outra hora tropeça, mas analisando a história concluímos que ela realmente aprende com seus erros e está sempre disposta a surpreender.

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Rodrigo de Souza

Game Designer, Professor e Pai (Não nessa ordem).
Gamer também, quando dá tempo.

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6 Comentários

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  • Muito bom Rodrigo Silveira de Souza! Lembro que paguei feliz os R$499,00 no meu ps3 de 80gb, edição Motor Storm. Fiquei muiiiiiiiito puto quando a desgraça começou a mostrar a luz amarela e por não ter concerto. Comprei um slim desbloqueado, e estou bem feliz com ele, principalmente por causa dos seus homebrews e emuladores (esperando pelo de N64), e algumas obras de arte como Metal Gear4. Amo os jogos da série Zelda e Resident Evil e gostaria muito de joga-los no Wii, porém acho esse video-game meio xoxo pelo seu sistema de controle, sou bem tradicional nesse sentido.

  • Que história linda dos consoles, uma verdadeira guerra! Muito acirrada, com cachorros grandes como a Sega perdendo espaço e inclusive a poderosa Nintendo quase sedendo e voltando das cinzas. É lindo.

  • A Sega poderá dar as caras a qualquer hora tenho certeza que com tantos jogos do sonic saindo ew tals apesar de que as duas empresas vao se unir:Sega+Nintendo=Sucesso
    Mario+Sonic=Sucesso
    Isso iria ser demais não acham?

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