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Porque os filmes live-action de Resident Evil ofendem tanto os gamers?

 

ATENÇÃO: O ARTIGO APRESENTA A OPINIÃO DO AUTOR E DE MAIS UMAS ZILHÕES DE PESSOAS, O QUE NÃO SIGNIFICA QUE É UNANIMIDADE, E CONTÉM SPOILERS PRA CARAMBA. CONTINUE POR SUA CONTA E RISCO

Quando foi anunciado em meados de 2000 um trailer de uma possível adaptação cinematográfica do sucesso estrondoso de “Resident Evil”, franquia de survival horror da Capcom que vendia horrores nos últimos sete anos, a galera foi à loucura. Com apenas algumas ”samples” de imagens da produção mostrando Milla Jovovich atuando, a primeira coisa que pensamos foi que se tratava de Jill Valentine, a heroína do primeiro e do terceiro título dos games lançados até então. Pura inocência, mas até então não saberíamos o que estava por vir. E o pior é que tem gente que é fã desses filmes e os defende com unha e carne na internet. Inacreditável…

OS FILMES

Quando o filme saiu em 2002, com o título brasileiro de “Resident Evil: O hóspede maldito”, foi uma certa decepção, mas não era inteiramente ruim. Paul W.S. Anderson, que fez um ótimo trabalho com a primeira adaptação de “Mortal Kombat” no cinema, trabalhou como diretor no longa. E sua fama adquirida com “Mortal Kombat” havia animado os fãs de “Resident Evil” na época. Mas só até o filme sair. O roteiro enfiava uma tal de Alice na história, numa mansão que esperávamos que fosse a Spencer, quando na verdade Spencer mesmo era um malandro querendo roubar o T-Virus de uma fortaleza subterrânea da Umbrella Corporation chamada “Colmeia”. Zoado? Não para por aí porque mais e mais personagens estranhos aparecem na trama e nem os zumbis salvam o filme. E apesar de tudo, se tivesse parado por ali não seria um filme tão odiado. MAS VIROU UMA FRANQUIA!

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Ninguém nesta cena é de algum game que tenhamos jogado

Aí chegou o segundo filme. A hype foi criada quando foi anunciado que se passaria na mítica Raccoon City, como é mostrado no fim do primeiro filme. Será que teremos Leon e Claire? Jill e Carlos? Nemesis? Os Birkin? Ada? Peraí, é coisa boa demais pra Paul Anderson administrar. E tivemos uma coisinha duvidosa com “Resident Evil 2: Apocalipse”, dessa vez dirigido por Alexander Witt. Infelizmente o roteiro era do Paul Anderson. E sim, tivemos Jill Valentine, Carlos Oliveira, Nemesis e até a Raccoon Police Department apareceu! Mas Anderson conseguiu estragá-los. Sua personagem nova, Alice, colocou a heroína Jill como uma coadjuvante tão útil quanto o Dario Rosso de “Resident Evil 3: Nemesis”. Nikolai Ginovaef virou bonzinho (!) e foi morto por um cachorro logo no meio do filme, Nemesis, que deveria caçar os S.T.A.R.S. assim como no game (e o fez no filme por alguns minutos só porque sua única fala é essa e Anderson não teve escolha), simplesmente IGNOROU Jill e foi programado para combater Alice! E no final acaba recobrando sua consciência de Matt, um cara xarope que foi capturado no final do primeiro filme após ser infectado pelo Licker. Anderson e sua turma tinham uma ótima oportunidade pra parar por ali, mas resolveram continuar. Pra nossa tristeza.

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A cara da Jill de “como assim ‘coadjuvante’?”

Resident Evil 3: Extinção” estreou em 2007 e terminou de ferrar o que já estava se ferrando. Nesse longa, com Paul Anderson na direção novamente (além do roteiro), o T-Virus transformou o mundo em um deserto (kkkkkk) e restaram pouco mais de um milhão de sobreviventes da raça humana. Beleza, e todo mundo achava isso o cúmulo. Mas nesse aqui tivemos a lendária Claire Redfield. Lendária até Anderson colocá-la no roteiro. Ali Larter, famosa pela competente franquia de filmes “Premonição”, fez uma Claire maconheira e durona, totalmente diferente da Claire do game que era apenas uma motoqueira que se vê no meio de uma infestaçao zumbi ao procurar pelo irmão. Carlos estava vivo e Jill sumiu (?). Ok, daí temos uns personagens novos que só serviram pra morrer e Albert Wesker, que apareceu no finalzinho, mais parecia o Gugu Liberato de mau-humor. Esse sinceramente foi o pior entre os três primeiros. Até surgir o próximo.

 

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Saara? Nope, era Las Vegas

Em 2010 veio “Resident Evil 4: Recomeço” que magicamente deu fim ao deserto do filme passado (dez pontos para Grifinória). Anderson nos deu Chris Redfield, feito pelo grande Wentworth Miller da premiada série “Prison Break” e isso não seria um problema se Chris e Wentworth não se parecessem em NADA fisicamente. E não parou por ali: Chris era um banana que provavelmente nunca foi da S.T.A.R.S. no enredo de Paul Anderson. Depois apareceu o Gugu Liberato imitando os poderes que tinha em “Resident Evil 5”, lançado para os videogames no ano anterior, mas Alice sempre é a heroína que vai resolver tudo com seus superpoderes e habilidades sobre-humanas e Chris e Claire só serviram de saco de pancada. Um filme bem pior, mas Anderson quis ignorar o ditado “Morra como um herói ou viva o bastante para se tornar o vilão” e acabou lançando outro filme depois desse.

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Se eu não dissesse que são Claire e Chris, quem não viu o filme nunca diria que são eles

Aí quando não se esperava mais nada, os fãs ficaram importunando o Paul Anderson pra trazer alguns personagens pra telona. E o que os fãs de verdade menos queriam era que isso acontecesse. E aconteceu. O ano é 2012. O filme é “Resident Evil 5: Retribuição” e nos deu o favorito da galera Leon S. Kennedy, o veterano Barry Burton, a china Ada Wong, o Albert “Gugu” Wesker, o retorno de Sienna Guillory como a Jill Valentine que vimos no quinto game da série e, claro, Alice. O que recebemos nos cinemas (que eu, particularmente, não tive coragem de gastar 20 pratas na entrada) foi: um Leon que apanha o filme todo, Ada que não faz quase nada, um Barry até que útil mas nada além disso, um Wesker que fica do bem (!), Jill que lutou até bem contra a, claro, heroína poderosa principal Alice. Qual a moral da história? Nenhuma. Ué, foram apenas uma hora e pouquinho de enredo com pretexto pra Milla Jovovich aparecer e Paul Anderson arrecadar uns milhões. E o pior foi que o fim do filme dá um gancho pra uma continuação que, segundo Paul Anderson, será o último (Deus o abençoe).

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A turma da pesada em ação aí

Dentre esses todos foram lançados dois filmes em computação gráfica, “Resident Evil Degeneração” e “Resident Evil Condenação“, que foram dez zilhões de vezes mais fiéis a série de games. O único erro desses dois foi trazer Leon novamente no segundo filme, já que poderiam ter trazido outro. Um outro, “Biohazard 4D Executer” está no Youtube e apareceu por lá no meio da década passada. Não tem personagens conhecidos e tem uma historinha paralela aos três primeiros games.

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Jill assustada com o artigo


A MORAL

Os filmes tem qualidade gráfica impressionante, efeitos especiais de primeira e coadjuvantes eficientes. Milla Jovovich é uma atriz impressionante, nunca disse que era ruim. Ruim foi o papel que deram pra ela (que Paul Anderson, seu marido, deu a ela) e Milla só ficou encarregada de executá-lo da melhor maneira que pôde, assim como os outros incríveis atores também escalados. Os personagens que conhecemos e idolatramos dos games apareceram nos filmes de maneira medíocre, servindo apenas como pretexto pra dar o título de “Resident Evil” às películas e atrair espectadores. E é infelizmente assim que quem se preze classifique a série adaptada: descartável.

Sobre o Autor

Felipe Felizardo

Jogador de gueimes, conhecedor de survival horror, pai da Cecília, Power Ranger nas horas vagas e muito rico. De saúde.

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