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Kingdom – GameFM Indiespensável

Dos confins de uma terra sem história e de nada além surge Kingdom, exumador dos gráficos pixelados dos clássicos adventures no melhor estilo Sierra de ser, enquadrados num gênero de estratégia 4X (eXplore, eXpand, eXploit, eXterminate); é o primeiro jogo desenvolvido e publicado pela Indie “Raw Fury”.

Kingdom é uma criatura bem intrigante, sem ladainhas, ele coloca o jogador num mundo aparentemente belo (até aonde a pixel art em 2D permitir) que vai exigir algumas horas de jogo só para descobrir qual é o objetivo do nosso galante governante nesse mundo hostil, muitas outras horas para entende-lo e mais outras várias para vence-lo.

Enfim, é um game para poucos, como a maior experiência do jogo só é possível de obter explorando a própria mecânica e padrões do jogo, nós iremos nos ater a analisar superficialmente essas duas questões. Já nos demais elementos, nós iremos mais fundo, assim não estragaremos a experiência e o maior elemento de jogabilidade em Kingdom:

História e Ambientação – 8.0/10

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O que dizer de um jogo sem história, prelúdio ou qualquer outro elemento narrativo expresso? Muito! Podem ser tantas as lendas e os contos por trás do ambiente apresentado que cada experiência narrativa poderá ter interpretações diferentes para cada jogador.

Basicamente a única coisa apresentada a nós é um rei e a sua coroa numa floresta com clareiras e acampamentos. Aos poucos vamos encontrando os nossos primeiros inimigos, uma espécie noturna de canibais gananciosos que atacam os nossos bens tão “arduamente conquistados” através de trabalho escravo.

Além disso… Não, espera!

É só isso mesmo! O resto da história é o jogador quem faz, ou seja, as aberturas interpretativas são bem subjetivas.

Quanto à ambientação não há muito o que dissertar, combina com o enredo (ou a falta dele); você sozinho, numa floresta longe de tudo e todos que deve ter um dos maiores lagos do mundo, afinal de contas tem água por todos os lados até o infinito e além!

Os ciclos diários ajudam a criar uma atmosfera ondular que variam entre a calmaria de um grilo numa manhã de verão e uma noite de medo e pânico ao melhor clima de Jack o estripador, ou melhor, de vários “Jacks”.

Afinal de contas quem tem coroa tem medo.

Gráficos e Efeitos – 7.0/10 

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O Pixel Art é algo atemporal, funcionou muito bem em todas as eras dos jogos eletrônicos, por isso podemos pegar mais pesado na análise dos gráficos baseados nessa arte.

Kingdom é, basicamente, apresentado a nós em 2D, sidescroller, que pode confundir alguns desavisados, levando-os a crer que se trata de um adventure da Sierra rodando no Windows 95 ou algum outro da Lucas Arts.

Já vi reviews de outros jogadores que acham que a Pixel Art de Kingdom é algo louvável por ter reflexo na água e nuvens que se mexem, mas isso não é nada inovador; é algo básico para esse estilo de arte digital em pleno ano de 2015.

Enfim, algo básico e que não se harmoniza com a ambientação não anima o jogador, não é algo a se levar como diferencial como ocorre em Superbrothers: Sword & Sworcery EP que tem lindos gráficos nesse mesmo estilo ou em Undertale que possui um dos mais simples gráficos da geração atual, mas que harmonizam mais que perfeitamente com a singeleza dos seus enredos.

O que realmente impacta são as animações que possuem muitos quadros, nesse ponto o reflexo aquático ganha vida e a passagem do clima agrega à harmonização do enredo, enfim, ponto positivo!

Ah! E destaque para a animação das moedas e da bolsa de moedas; fiquei impressionado com a criatividade!

Música e Efeitos Sonoros – 7.0/10

Resumidamente, a trilha sonora é boa nos momentos de calmaria, traz paz e torna o ambiente menos hostil, mas peca no momento da tensão.

Há uma mudança na intensidade da melodia noturna que transforma o passo do jogo, constituindo praticamente uma nova fase; nem se comparando com uma trilha de harmonização de uma luta entre a vida e a morte.

Imagine você cercado por 35 criaturas que querem tudo seu, tesouros e outros utensílios conquistados com muito trabalho (escravo)? No mínimo é uma batalha pela maior conquista que podemos alcançar no jogo, algo como cada noite ser um subchefe de algum jogo de hack n’ slash genérico; o sucesso ou fracasso definirá o resultado da sua trajetória ritmada pela epicidade de uma marcha de guerra num louco frenesi impactante no melhor estilo de Final Fantasy VII! Só que nunca…

O que temos é uma trilha que funciona mais como coadjuvante da trilha sonora do ciclo diário do que o ator principal do jogo, pois é de noite que a magia acontece, literalmente.

Em contrapartida os efeitos sonoros são muito bons, desde o cavalo bufando até o barulho das criaturas avisando um arrastão em Ipanema, parecem muito reais.

Um destaque especial está na singeleza de vários efeitos, como quando uma construção fica pronta ou um aldeão equipa um arco ou um martelo. O bom trabalho nos efeitos especiais me deu uma sensação de dever cumprido só de escutar uma construção ficar pronta, como um bom administrador de um belo reinado.

Ainda, importante salientar que inexiste falas por parte dos personagens, mas isso é um ponto positivo, agrega à harmonização da ambientação.

Jogabilidade e Diversão – 7.0/10

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Chegamos ao impasse dos impasses. Começaremos pela parte mais positiva de Kingdom: é um desafio divertido!

É divertido explorar os arredores e descobrir que você está ferrado e a morte está vindo te buscar. A fadiga do cavalo dá uma melhorada na estratégia de corrida, através de controles fáceis e de movimentação intuitiva com o auxílio de um pequeno tutorial no início da aventura facilitando a vossa vida, mas também podendo atrapalhar, a depender da sabedoria do jogador.

Quanto à construção, é sempre muito gratificante ver as muralhas erguerem-se e sentir o orgulho de ter um império pronto para qualquer ataque e para contra-atacar.

A administração dos recursos também é bem simples e funciona bem com sua bolsa que não há limite padronizado, cabendo tantas moedas quanto a física permitir.

O ápice da jogabilidade é a repetitividade das partidas, já que inexiste uma explicação sobre a mecânica intermediária e avançada do jogo, então cabe ao jogador testar cada elemento e ir aprendendo com as tentativas. Ela mesma conduz o jogador a uma expertise de todos os elementos nele contidos, sob pena de fracasso com uma avalanche de monstros gananciosos pela sua tão valiosa coroa.

Afinal de contas, o que é um rei sem uma coroa?

Essa mecânica de descobertas intuitivas é o que faz Kingdom ser desafiador para os iniciantes e difícil de maximizar para os mais avançados. Zerar esse jogo é uma tarefa realmente difícil, os ataques são cada vez mais cruéis com mais e mais monstros.

Porém, ironicamente, é a própria mecânica dele que mais nos frustra  durante o jogo, ao menos após a metade da nossa jornada. As distâncias se tornam absurdamente longas e os seus súditos caminham na mesma velocidade de um Snorlax, cabendo ao jogador administrar até mesmo o encurtamento dessa distância para que não demore dias até que uma única tarefa seja finalizada.

Não posso dizer que é um jogo quebrado, mas pode ser frustrante para alguns jogadores, ainda mais depois de já ter passado pela parte mais difícil do jogo e de qualquer jogo de estratégia 4X: o início, com a fase de construção e a estabilização do império.

A inteligência artificial é horrenda, não combina com o gênero. Os arqueiros são vesgos e os guerreiros muito fracos. Não há qualquer opção de melhoramento de tropas, nem de ataque e de movimentação, o que torna o jogo frustrante quando se tem que percorrer distâncias absurdamente grandes.

Para se ter uma ideia, um meu construtor demorou 2 dias para percorrer o campo até chegar ao local específico para reparar uma muralha, e morreu, já que os malditos apenas andam em linha reta, de peito aberto para o perigo de um arrastão por monstros alimentados com Whey Protein; a inteligência artificial dos súditos é horrenda, repito.

Bom, o meu game mais longo foi de 66 noites quando perdi para a distância numa mecânica de jogo quebrada. Tudo foi testado e tentado, desde construções pequenas até o local almejado até um rush de 2 dias para a morte, nada funcionava, nem mesmo ter 3 bolsas inteiras cheias de ouro para fazer o que quisesse, no final das contas a distância te ganha.

Também vi comentários dizendo que a rapidez do sistema de dia e noite é algo louvável, o que eu discordo. Ora, eu possuo um cavalo, consigo percorrer o mapa inteiro em um dia e uma noite, até aí tudo bem, mas meus súditos não, caminham com a agilidade de um Snorlax e nem sequer possuem alguma forma de melhoramentos. Enfim, perder para uma mecânica de jogo é algo frustrante de mais; um elemento que pode estragar a melhor sensação no jogo, sobreviver.

Perigo: Distância > Monstros.

OBS: Zerei o game, após umas 13 tentativas, em 41 dias.

RESUMINDO –

Kingdom é divertido e desafiador ao mesmo tempo, bom pra dividir homens de meninos, um jogo que até o momento de descobertas é pura diversão, a narrativa se envolve com o mistério do silêncio do narrador, o que instiga a repetitividade da jogabilidade. Infelizmente há alguns problemas que poderiam ser consertados, mas nada que impeça-nos da diversão imediata.

Mais um game Indiespensável? Talvez não Indiespensável, mas recomendável para quem curte um bom jogo Indie desafiador.

Pros-Contras - KingdomNOtaIndie - Kingdom

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