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SOMA – GameFM Indiespensável

 Do Grego, corpo vivo, surge SOMA, que nada mais é que o nosso Indie em análise da semana! Basicamente, SOMA é um jogo de aventura em primeira pessoa em 3D com a temática de ficção científica e elementos de terror lançado no dia 22 de setembro de 2015 pela Frictional Games, criadora de Amnesia: The Dark Descent e A Machine for Pigs.

Muitas promessas foram feitas para esse game o que me deixou preocupado no momento em que decidi realizar essa análise, pois eu não sabia o que esperar. Parte de mim dizia para confiar na produtora que me entregou um dos melhores jogos de terror que eu já joguei no PC, Amnesia. Porém uma outra parte mais preconceituosa me despertava um sinal mental de que se tratava de um jogo Indie, com baixo orçamento e  sem Publishers.

Bom, tive que me despir dessas opiniões e expectativas para não corromper o que vou escrever a seguir, a final de contas o hype e o pessimismo são inimigas de uma boa análise imparcial e sincera.

Enfim, comecemos pela história.

História e Ambientação – 9.5/10

Diferentemente da nossa última análise para Kingdom, a história de SOMA é riquíssima.

Nele nós somos apresentados a Simon Jarret, um jovem adulto que sofreu um acidente de carro que o deixou com sequelas cerebrais no início de 2015. Simon, então, buscando uma cura, resolve se tratar com um estudante de neurociência chamado David Munshi.

Soma 2015-11-07 02-29-53-41David se compromete a ajuda-lo da forma que for e propõe uma técnica inovadora que envolviam testes e simulações cerebrais para cura-lo desses traumas. Após o primeiro teste Simon acorda num lugar totalmente diferente e escuro, sem quaisquer respostas e muitas dúvidas.

A partir desse momento a história de SOMA realmente começa, agora cabe ao jogador entender o que está acontecendo com o nosso protagonista, aonde estamos, pra onde iremos, se fomos curados ou não…

São muitas dúvidas e todas são respondidas se prestarmos atenção na história que, ao meu ver, é o ponto mais forte de todo o game. Não há furos no roteiro ou incoerências entre o que nos foi apresentado e no que descobrimos.

A trama é intrigante, bem estruturada e bem apresentada, há alguns Plot Twists de cair o queixo (alguns deles me deixaram congelados por alguns segundos até cair a ficha do que o jogo tinha acabado de me dizer). A história de SOMA é uma obra prima de ficção científica digna de um filme americano.

A ambientação combina com tudo, há uma névoa de dúvidas que escurece tudo o que lhe é mostrado e o suspense psicológico se torna o seu maior companheiro. Basicamente, até a metade do jogo, todo o terror apresentado é psicológico, não há monstros tenebrosos ou criaturas amórficas, fantasmas ou psicopatas.

A psicopatia é criada a partir de uma quebra de realidades estonteante que é desfigurada aos poucos no passo que o jogador vai entendendo o que aconteceu. Só então ela dá lugar ao medo real e presente, misturado com um pânico que realmente influencia na jogabilidade, mas isso é um tópico para outro ponto a ser analisado.

Enfim, a história não deixa nada a desejar. Abro apenas exceção para falar do final, pois não é algo imprevisível, mas ainda assim impressionante. Ponto esse que não me permitiu dar a nota máxima para a História/Ambientação do game.

Gráficos e Efeitos – 8.5/10

Impressionante, é o que eu posso dizer dos gráficos de SOMA. Trata-se de um padrão AAA, diria inclusive que são melhores que o de Fallout 4 na sua data de lançamento.

As texturas são sombrias, a pouca luminosidade facilita a manutenção do suspense, o que dá abertura para um sombreamento dos objetos mais simplificado, mas que funciona bem para o que se espera de um jogo de terror.

É claro que há momentos de maior luminosidade, em ambientes em céu aberto ou com luzes artificiais, enfim, essas texturas e a conjuntura de luzes e efeitos visuais funcionam muito bem e nos levam à outra atmosfera.

Além do mais, um bom jogo de terror só funciona se essa mitologia atmosférica for bem construída nessas alternâncias entre um céu e um inferno mental; momentos de tranquilidade aparente e de fuga caótica imediata, enfim, SOMA tem tudo isso bem estruturado com shaders e blurs bem colocados em ambas as situações.

A água é bem construída, a visão do jogador fica embaçada, debaixo d’água, mas a aparência de algumas estruturas parece que não muda, não há refração e nem muitos efeitos visuais de requinte que nos levem a admirar o ambiente aquático.

A impressão que eu tive, enquanto estava imerso, é que eu nem estava dentro d’água. A única coisa que me lembrava que eu estava nadando com peixes era a respiração do personagem e algumas estruturas submarinas, como pedras, corais e, é claro, peixes (as vezes alguns robôs voadores também). Talvez tenha faltado algum efeito visual de maior impacto, mas nada que venha a afetar muito a imersão do jogador, é apenas um plus não visualizado por mim, mesmo jogando na maior resolução.

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Por fim há duas breves análises que gostaria de fazer, alguns Loads comprometem o bom andamento do game, há quedas de FPS bruscas nesses momentos que me fizeram parar o personagem para esperar o fim do carregamento das texturas. Creio que a produtora quis dar um dinamismo ao jogo excluindo telas de carregamento, o que não funcionou tão bem pela falta de um esmero maior no acabamento dele.

E, finalmente, ponto positivo para as animações e efeitos físicos do game, todos bem construídos, desde um vidro sendo quebrado até as animações dos próprios personagens, em especial os monstros.

Música e Efeitos Sonoros – 8.0/10

No quesito música eu percebi muitas dicotomias, ou seja, coisas que eram positivas e negativas ao mesmo tempo. Primeiro, a trilha sonora me condicionou imediatamente ao suspense psicológico desejado, me fazendo correr como uma garotinha numa noite escura do Rio de Janeiro. Eram sons agudos que se misturavam com passos de carne no metal e que vinham aumentando cada vez mais e mais assim que eu era avistado por um inimigo.

Nessas horas só dava pra pensar: “Olha o bixo vindo moleque!” ou “Corre Bergue, ai meu Deus”. Era nesse nível!

Porém senti falta desse mesmo esmero na produção de uma trilha sonora que me fizesse atentar para uma descoberta que fosse mais intrigante, impressionante ou arrasadora, iria incrementar a ambientação. Como ocorre com o Link ao abrir um baú em The Legend of Zelda (claro, não tão cartoonesca como é lá).

Enfim, a trilha sonora do jogo é de alta qualidade, mas peca pela inexistência de algo mais introspectivo quando necessário.

Já os efeitos sonoros são muito bons também! Tudo impressiona, às vezes até de mais.

Como parte da jogabilidade envolve adaptação às sonoridades, há momentos em que há tantos sons que me causaram certa confusão do que estava acontecendo; não sabia se ali na frente tinha um monstro pronto para tirar minha virgindade ou se era só um copo que eu acabei de pisar e eu não percebi.

Enfim, a qualidade e esmero na criação e aplicação dessa ambientação sonora é realmente boa! Porém há certas dicotomias, como as que eu acabei de citar.

Jogabilidade e Diversão – 9.0/10

O que me impressionou em SOMA foi a capacidade de interação quase que absoluta com o cenário e, nos pontos em que não era possível outras interações, foram dadas escusas de impossibilidade fática de faze-la, afinal de contas, não dá pra quebrar uma parede com um extintor de incêndio, diferente do que acontece com alguns FPS com cenário destrutivo.

A física é (quase) perfeita, o jogador tem a possibilidade de levantar objetos, com velocidade e facilidade diferente dependendo do peso e tamanho desse objeto, trazendo realismo e consistência para as ações do jogador.

Há também a possibilidade de jogar esses objetos para fazer barulho num local específico, instigando um inimigo a ir até certo lugar enquanto nós vamos passando por entre os buracos em modo furtivo.

O jogador pode ainda encaixar alguns desses objetos em localidade específicas para cumprir objetivos e completar puzzles.

Falando em quebra cabeças, eles são muito bons! Trabalhados em cima da lógica e razoáveis conexões racionais, são uma boa fonte de desafio para os jogadores mais experientes e um desafio ainda maior para aqueles mais desavisados.

Outra questão positiva é o sistema de batalha, o que não há! Afinal de contas, é um jogo de terror e não de ação (né mesmo Resident Evil 6?). As suas armas são, correr, pular, agachar, se esconder e chorar num canto escuro sem saída quando um inimigo te acha.

Não há qualquer atalho de fuga no ambiente: você está a salvo enquanto estiver invisível para o inimigo (ou silencioso, dependendo de qual está atrás de você). Oras, então dá pra perceber que os produtores excluíram a fórmula de fuga que foi utilizada, por exemplo, em Outlast na qual o jogador pode se esquivar da morte ao entrar num armário, já que o inimigo jamais irá abrir o correto para te tirar lá de dentro e te encher de beijos (vulgo socos), salvo quando ele te vir entrando.

Todos esses elementos se condicionam a conceder ao jogador um elevado elemento de diversão, com adrenalina no talo das suas veias e com a possibilidade de adaptação do jogador ao ambiente, já que, em algumas situações, os inimigos também se tornam parte dos puzzle do jogo.

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Enfim, há apenas duas coisas que me colocaram um pé atrás para conceder a nota máxima: o sistema de vida e o sistema de sanidade. Primeiramente o jogador pode ser pego até duas vezes antes de morrer de vez, coisa que eu me posiciono contra, pois isso retira um pouco do pânico que o jogo impõe no jogador. A meu ver deveria ser como uma morte súbita: se eu fui pego, eu morri.

Quanto ao sistema de sanidade, há algumas inexatidões que confundem o jogador, muitas vezes o inimigo está longe, mas as ranhuras na tela trazem a impressão de que ele está no nosso lado e vice-versa. Há momentos em que o inimigo está nos vendo, mas a tela nem sequer se mexe, o que nos deixa um pouco confusos no que diz respeito a correr ou esconder.
RESUMINDO –

SOMA faz jus ao lado positivo que eu estava esperando dele, a sua história atual e seus elementos de críticas sociais nos levam a refletir sobre os limites humanos. Os seus gráficos fazem jus ao seu objetivo, a trilha sonora e seus efeitos os aprisiona num casulo de suspense permanente ou de fuga caótica imediata. A jogabilidade é excelente, simples, intuitiva, criativa e dinâmica. Porém alguns poucos elementos de polidez me impedem de dar nota máxima a essa obra prima dos Indie, me perdoem Amnesiomaníacos!

Mais um game indiespensável? Sim, compre, se divirta, se impressione e invista em quem faz jogos realmente bons como é o caso de SOMA e da Frictional Games, afinal de contas é um adjetivo cada vez mais escasso no mercado gamer atual.

Pros-Contras - SOMANOtaIndie - SOMA

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