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Hellblade: Senua’s Sacrifice (PC e PS4) – Review – ReVinha

Hellblade: Senua’s Sacrifice é um passeio perturbador entre o real e o imaginário

A Ninja Theory fez um esforço esforço bastante grande para que Hellblade fosse um jogo único em muitos aspectos. O desenvolvimento da narrativa no sentido de apresentar uma história intimista mostram o quanto a empresa se preocupou em colocar os jogadores em dúvida do que é real e do que era imaginário.

Incorporar Senua, uma guerreira celta perturbada por um trauma, faz com que entremos em um mundo de visões, deuses e monstros na esperança de superar a morte de sua família. Tomada por uma psicose, o trauma da guerreira nos é mostrado pelas incessantes vozes e alucinações que a comprometem mental e emocionalmente.

Hellblade é uma experiência introspectiva, solitária, que nos faz pensar que Senua está sozinha no mundo, mesmo durante combates ou quando interage com monstros, raramente temos a sensação de ajuda ou companhia, mesmo com as vozes que perturbam o mente da guerreira o tempo todo.

Durante sua jornada, Senua enfrenta os Northmen, um exército de guerreiros indomáveis que aparecem literalmente do nada.  Os momentos de combate são os mais intensos do jogo. Apesar da doença que a acomete e cresce dentro dela, Senua é bastante habilidosa e pode lidar sem grandes problemas com um número de inimigos simultaneamente. Ataques rápidos, fortes, esquivas e parrys estão no arsenal da personagem.

Apesar da importância do combate no jogo, não há muito desenvolvimento nesse sentido. Senua ganha algumas novas habilidades à medida em que vai avançando na jornada, mas não há uma preocupação em criar um sistema complexo como uma arvore de habilidades. Dominar a base de movimentos de Senua já lhe dará habilidade suficiente para ir até o fim do jogo sem grandes problemas e enfrentar praticamente qualquer inimigo. O combate é fluido e tranquilo, mesmo com um grande número de inimigos, graças a ajuda das vozes que tanto perturbam Senua em seu caminho.

Hellblade é um jogo que mostra uma personagem sendo consumida pela psicopatia. Isso fica muito claro através das vozes que tomam a mente de Senua durante seu caminho. O jogo, porém, não nos dá clareza do que é realidade ou o que é imaginação, tudo é visto pela perspectiva da personagem, assim as visões de Senua e a realidade se misturam de forma a não sabermos qual é qual.

As vozes, porém, demonstram o aspecto mais marcante de sua psicose. Elas não apenas falam com Senua como também conversam entre si, causando certa confusão e dando uma imersão ainda maior na doença da protagonista. As vozes são tão frequentes que chegam a ser irritantes, mas o ponto era justamente esse, deixar o jogador desconfortável com a psicose de Senua e a maneira como isso a afeta. Uma dica, jogue com fones de ouvido, o efeito fica ainda mais interessante.

Os puzzles do jogo consistem basicamente em mudar o foco e a perspectiva de Senua em diversos pontos, assim é possível abrir portas e passar por lugares inacessíveis em outros momentos. Alguns são interessantes, mas em muitos momentos a paciência se esgota em tentar achar o ângulo correto para resolver o puzzle.

O jogo em si não é difícil, é daqueles em que a experiência é o que vale, e o propósito não é fazer o jogador morrer incontáveis vezes para chegar ao seu objetivo. Com 8 horas de jogo é possível finalizar a história com poucas mortes e alguns engasgos por conta de um ou outro puzzle.

A narrativa é o grande destaque de Hellblade, é o que nos mantém jogando e o que nos a seguir em frente. Os combates são o ponto mais fraco do jogo, porém em nenhum momento são enfadonhos ou excessivos, o que faz com que o jogo permaneça interessante o tempo todo.

A grande conquista de Hellblade é tratar um assunto bem sensível com sutileza e respeito, trazendo um jogo de ação acima da média e extremamente bem trabalhado em seus detalhes. No fundo, o jogo é sobre o esforço de Senua em superar sua doença. No meio de tudo isso, ela aprende a encontrar forças para seguir em frente e aceitar seu passado. Acompanhamos Senua em sua jornada e passamos pelas dificuldades com ela e de alguma maneira, entendemos um pouco como é passar por um problema que muitos em nosso mundo passam. Entender, aceitar e ajudar é parte do que nos torna mais humanos.

Sobre o Autor

Rodrigo de Souza

Game Designer, Professor e Pai (Não nessa ordem).
Gamer também, quando dá tempo.

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