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Celeste (Switch, PS4, XOne, PC) – Review – ReVinha

Celeste é uma lição de que, mesmo difíceis, jogos te divertem

Se não ficou claro com Dark Souls, ou qualquer outro jogo similar, há títulos que nos alertam: o fácil nem sempre é legal. E essa é uma lição que não devemos usar só em jogos, mas sim levar para a vida. É interessante que sempre tenhamos a oportunidade de enxergar as coisas que nos rodeiam e tenhamos suas lições em nossa moral. Não adianta assistir a um filme, desenho ou jogar um game e tomar aquilo como entretenimento puro e simples. Em 99% dos casos, os autores querem te passar uma lição. Ou ao menos te dar o entendimento de alguma visão de mundo. Mesmo que de forma simples e direta.

Em Celeste, talvez tenhamos algo deste tipo. Entenda: Celeste é um jogo difícil, mas não queremos, nem um pouco, compará-lo com Dark Souls, apesar da citação inicial. Ele é um game que não te pega pela mão, mas ainda assim te dá boas lições. O título, lançado nos consoles e PC, é mais um jogo de plataformas com gráficos retrô. Sua comparação está mais cabível em Super Meat Boy, tanto em visual, quanto em diversão, mas há elementos a mais por aqui.

Em Celeste controlamos uma jovem que precisa escalar a montanha que dá nome ao jogo e, para isso, ela vai superar desafios quase impossíveis. A menina tem uma espécie de poder místico que a permite alternar sua forma e saltar mais uma vez no ar, além de poder agarrar temporariamente em paredes.

Basicamente, um jogo onde você vai pular muito, correr muito e morrer muito. Assim como em Meat Boy, Celeste é um game foi na base do erro e acerto. Você morre e volta para o início da sala onde estava, quando precisa começar tudo de novo, lidando com as ameaças novamente – geralmente naturais, em alguns casos nem tanto.

Não se engane pelo visual fofinho, nem pela trilha sonora acolhedora. Celeste é um jogo tão cruel que contabiliza suas mortes. Mas, hey, ele não é tão cruel assim. O game tem um “Modo fácil”, que não te diminui e deixa claro que, em alguns casos, está ok escolher o caminho mais fácil. Uma mensagem poderosa em tempos onde a dificuldade é sempre louvada.

Louvável também é o esforço de Celeste em se manter sempre novo. Cada nova fase não se parece com a anterior. E quando citamos “fase”, queremos dizer os pequenos cenários que entramos com a personagem, pois o jogo se divide em grandes capítulos, estes compostos por pequenas câmaras com seus próprios desafios.

Os gráficos são no estilo retrô, então você só vai curtir se apreciar este tipo de representação visual. Se for aquele tipo de jogador que só quer ver visuais de última geração para justificar o investimento em um PS4 ou Xbox One, talvez este não seja um game adequado para sua biblioteca. Mas tente não se limitar sob este aspecto. Está perdendo um jogão.

Conclusão

Celeste é mais uma pequena obra que mescla diversão e dificuldade com uma bela dose de criatividade. O jogo te passa boas lições do que é game design, com controles apurados, visual retrô bem apresentado, além de cenários muito bem pensados para o desafio que é. Uma das pequenas joias secretas disponíveis nos consoles e PCs.

 

 

Sobre o Autor

Rodrigo de Souza

Game Designer, Professor e Pai (Não nessa ordem).
Gamer também, quando dá tempo.

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