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Far Cry 5 (PS4, XOne, PC) – Review – ReVinha

Far Cry 5: isso é a América

Far Cry 5 era uma das maiores promessas do ano em termos de lançamentos de peso. Tudo bem que já estamos acostumados a ter um Far Cry novo vez ou outra e um jogo com o número “5” em seu título não é a mesma coisa que algo 100% inédito, a exemplo de outros títulos que chegam por aí, mês após mês. Eu mesmo não esperava tanta coisa, além de um jogo de ação comum e direto ao ponto. Mas, quando vi, não conseguia mais largar o controle, até dominar mais um pouquinho da área do mapa.

Far Cry 5 é uma evolução enorme da franquia, mas não só dela. O jogo também representa um incrível evolução da própria Ubisoft, a maturidade da empresa em termos de mundo aberto e de jogo com missões. O game não esconde mais sua faceta eletrônica, pelo contrário, é bem exagerado em muitos aspectos, mas, ao mesmo tempo, não se prende aos limites do que a narrativa tenta impôr, liberando o que há de melhor na liberdade.

Isso é a América

Lançado um pouco antes do hit “This is America”, Far Cry 5 pode traçar alguns paralelos com a narrativa estabelecida na canção, por mais que seus cenários desenhados sejam totalmente diferentes. A começar pela história: o principal grupo de ameaça do jogo é uma família branca, caipira, do interiorzão dos EUA. Altamente religiosos, os Seed fazem parte do grupo de vilões de Far Cry, a série como um todo, que são insanos e sem o menor pudor do que é certo e errado, com base em suas visões.

Joseph Seed, figura central da seita Portão do Éden, é o inimigo principal. Mas sua família está espalhada no mapa, de acordo com uma organização de hierarquia, mas cada um com seu espaço exato e certeiro. Em vez de torres para expandir o território, o jogador consegue desbravar o cenário apenas realizando missões. O melhor de tudo é que elas não requisitam que você siga um caminho fixo. Tudo é bem livre, solto e com possibilidades múltiplas – ainda que só tenhamos um final possível em cada tarefa.

Porém, Far Cry 5 realmente brilha em sua liberdade, mas também nas opções para explorar a imensidão de Hope County. Você não corre tudo a pé e muito menos fica dependente de entrar em carros para explorar. É possível pegar um helicóptero logo no início do game, se assim desejar. Ou usar uma viagem rápida, após destravar boa parte do mapa. Far Cry 5 te dá opções, e sabe a importância de cada uma.

Política? Aqui não

Um dos pontos mais interessantes de Far Cry 5 está em seu viés político… Que na verdade não existe! Quando o jogo foi anunciado, todos pensavam que ele fosse abordar, no sentido de paródia, a atual América do Norte de Donald Trump. Não é o caso. Não há menção a supremacistas brancos, ao menos não de maneira central, e os inimigos são “apenas” fanáticos religiosos, com ênfase na fantasia, sem muitas conexões com o mundo real.

Far Cry 5 é escapismo, é uma forma de encarar o mundo real de maneira irreal. Sua jogabilidade também dá conta disso, com diversas armas exageradas à sua disposição, te dando a chance de extravasar, sempre que quiser, com pouquíssimos impedimentos. É claro que a narrativa se alia a personagens carismáticos, que seguem este mesmo clima.

O pacote inteiro de Far Cry 5 se completa com o chamado Far Cry Arcade. Se a extensa campanha e seus colecionáveis já não fossem o suficiente, você também pode participar de um modo multiplayer com mapas infinitos, ou melhor, criadores pelos jogadores, com os mais variados temas e liberdade quase que total. Far Cry Arcade é uma das ideias mais sensacionais dos jogos que usam multiplayer tradicional online e ainda não notei como não haviam pensado nisso antes.

Em resumo: isso é Far Cry 5. Se busca um jogo divertido de verdade, sem amarras morais e com muitos momentos tensos, ele talvez seja uma boa opção.

Sobre o Autor

Rodrigo de Souza

Game Designer, Professor e Pai (Não nessa ordem).
Gamer também, quando dá tempo.

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