God of War Sons of Sparta – Análise

Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)
Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)

Desenvolvido pela Mega Cat Studios e distribuído pela Sony Interactive Entertainment, God of War Sons of Sparta é um Metroidvania 2D que revisita o passado espartano de Kratos e de seu irmão Deimos, contando mais detalhes sobre a vida desses jovens guerreiros espartanos.

Desde quando soube do primeiro rumor relacionado a um God of War metroidvania, fiquei bem animado, já que adoro jogos do gênero e a franquia poderia se encaixar muito bem nos moldes de uma gameplay side-scrolling. De início, achei uma ideia promissora para a série, que não recebe um novo título desde 2022. Mas, infelizmente, o jogo acaba esbarrando em limitações estruturais e técnicas que impedem que ele alcance o nível esperado para um título ligado à franquia.

Pegue sua lança e seu escudo e vamos juntos embarcar nesta jornada cheia de criaturas, perdas e deveres!

Por Esparta!

A história começa no presente, com Kratos adulto, capitão do exército espartano, repreendendo sua filha Calliope por negligenciar seus deveres. Para ensiná-la sobre responsabilidade, ele decide contar uma história de seu passado. O relato volta no tempo para quando Kratos tinha 13 anos e treinava no Agoge, ao lado de seu irmão mais novo, Deimos. Durante uma missão fora de Esparta, os dois enfrentam um Ciclope e conseguem derrotá-lo juntos. Com uma permissão especial para patrulhar a região da Lacônia, Kratos busca provar seu valor e entrar no Círculo de Vanguarda, o mais alto posto entre os cadetes espartanos.

Durante uma missão dada pelo diretor do Agoge, os irmãos descobrem que um colega chamado Vasilis desapareceu. Enquanto Deimos demonstra preocupação e quer ajudá-lo, de início, Kratos trata o caso com indiferença, considerando o colega espartano fraco, mas acaba apoiando a atitude nobre de seu irmão. É aí que a nossa aventura se inicia, com uma narrativa simples e até interessante, que aborda mais detalhes sobre a vida de Kratos antes de se tornar um general espartano.

A raiva sempre esteve presente / Reprodução: Autor

Antes de ser pai, antes de ser um deus, eu era um espartano

God of War Sons of Sparta apresenta um combate com ideias interessantes de início. Uma de suas principais mecânicas é o Espírito Espartano, habilidade que consome uma barra laranja e que, ao ser ativada, faz com que Kratos execute ataques que arrancam orbes de vida dos inimigos. Embora esses golpes causem menos dano, eles podem causar atordoamento nos inimigos, incentivando o jogador a usá-los de forma estratégica, além de também serem um grande facilitador do game, bastando spammar esse ataque em determinadas lutas para ter uma vitória tranquila.

Outro elemento importante do combate são os indicadores de cores nos inimigos, que indicam o tipo de ataque recebido. Golpes vermelhos são impossíveis de bloquear ou aparar; os azuis não podem ser esquivados; e os roxos são completamente indefensáveis. Esse sistema cria uma dinâmica de leitura rápida no combate.

O seu sistema de progressão inclui uma árvore de habilidades, além das chamadas Dádivas do Olimpo, poderes concedidos pelos deuses que ampliam o arsenal de Kratos. Entre elas estão habilidades como Chama Perene, Lâmina Lunar, Glaive da Colheita, Olpe do Bem-Estar e as Sandálias da Vitória. Apesar da boa variedade, essas dádivas agregam mais à exploração do que ao combate em si. A sua árvore de habilidades acaba sendo bastante limitada e pouco criativa, oferecendo upgrades que raramente transformam de fato a forma de jogar.

God of War Sons of Sparta apresenta passivas relacionadas às pontas da lança, às braçadeiras e ao próprio Espírito Espartano, mas muitas dessas melhorias são mal integradas ao fluxo do combate. A sensação de progressão é um dos maiores problemas do game, já que, mesmo recebendo bênçãos divinas, o jogador raramente sente que está realmente ficando mais poderoso. Para um metroidvania, gênero que normalmente recompensa exploração e evolução constante, isso acaba sendo um ponto bastante negativo.

Outro problema está no seu backtracking, que deveria ser um dos pilares do gênero. Em God of War Sons of Sparta, esse sistema é pouco estimulante e raramente recompensa a curiosidade do jogador. Somado a isso, mecânicas importantes, como o pulo duplo, são liberadas muito tarde na campanha, criando um desequilíbrio no ritmo de progressão.

O passado vendo seu futuro sendo construído / Reprodução: Autor

Abandonar um espartano é abandonar Esparta

Visualmente, o jogo aposta em uma pixel art 3D estilizada que, em alguns momentos, impressiona pelos cenários ricos em referências e detalhes de fundo. Ambientes com muitos detalhes relacionados à mitologia grega ajudam a criar uma atmosfera interessante. No entanto, quando criaturas maiores aparecem em combate, especialmente aquelas que se movem rapidamente, o visual pode se tornar confuso e até desconfortável de acompanhar.

A sua trilha sonora tenta seguir a tradição épica da franquia, trazendo composições que remetem ao estilo grandioso da série. Contudo, há alguns deslizes técnicos: em certos momentos, a música aumenta absurdamente durante diálogos. Pequenas gafes como essa acabam prejudicando a experiência narrativa, principalmente em momentos que deveriam ter maior carga emocional.

Infelizmente, os problemas técnicos são um dos aspectos mais frustrantes do jogo. Existem dois bugs gravíssimos no game que envolvem travamentos nas falas e o sumiço de personagens que são necessários para certas progressões na campanha. Em alguns casos, a única solução é voltar para um save antigo, o que pode resultar na perda de horas de progresso – algo que me ocorreu duas vezes, fazendo-me perder mais de 2 horas de progresso.

Também existem quedas frequentes de desempenho durante batalhas mais caóticas, principalmente quando inimigos grandes lançam muitos projéteis na tela. Problemas menores também aparecem, como dificuldades para subir em bordas quando há inimigos próximos, além de inconsistências na exploração de certas áreas, especialmente em regiões de gelo, que acabam se tornando confusas e frustrantes de explorar.

Cleitão na resenha / Reprodução: Autor

Dever acima do desejo

God of War Sons of Sparta é um jogo que até apresenta boas ideias, mas que raramente consegue executá-las com a qualidade esperada de um título associado a uma franquia tão forte. A tentativa de transformar a série em um metroidvania até possui potencial, mas a progressão pouco satisfatória, os chefes pouco memoráveis – incluindo confrontos repetidos contra o mesmo inimigo – e os problemas técnicos constantes acabam pesando bastante contra a experiência. No fim, trata-se de um jogo medíocre, que pode divertir em alguns momentos, mas que fica muito aquém do que se espera quando se pensa em um título ligado ao universo de God of War.

Esta análise é baseada na cópia de PS5 fornecida pela PlayStation

God of War Sons of Sparta
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