Last Man Sitting – Análise

Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)
Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)

Desenvolvido pela DoubleMoose Games e publicado pela Raw Fury, Last Man Sitting é um roguelite que abraça as mecânicas “survivors” de títulos como Vampire Survivors e Megabonk, sendo um projeto que nasceu com identidade própria – tendo surgido literalmente de um bug.

Com parte de sua equipe envolvida em Goat Simulator, o jogo carrega uma veia criativa e caótica desde sua concepção, em que um protótipo de shooter ao estilo GTA acabou evoluindo para algo completamente fora da curva, com personagens em cadeiras de escritório enfrentando hordas de inimigos em combates frenéticos. O resultado é uma experiência que mistura humor ácido e uma estética nostálgica muito bem definida.

Embarque nesta análise e venha acompanhar todas as loucuras que uma crise no escritório pode oferecer!

Guerra dos sindicatos

Last Man Sitting deixa de lado qualquer tentativa de construir uma história complexa e aposta em uma premissa direta e bem-humorada. O jogador assume o controle de um contador preso em um escritório completamente fora de controle, onde uma revolta liderada por uma espécie de sindicato robótico desencadeia o caos no ambiente corporativo.

A partir daí, o objetivo não é salvar o mundo, mas sobreviver ao expediente – uma ideia tão absurda quanto divertida. Impressoras, cadeiras e plantas se tornam inimigos, criando um contexto caótico que serve como pano de fundo para a jogabilidade, sem nunca tentar se levar a sério.

O caos está instaurado no escritório / Reprodução: Autor

Destrua os robôs!

O grande destaque de Last Man Sitting está na sua jogabilidade criativa e variada. O combate gira em torno da movimentação com cadeiras de escritório customizáveis, combinando mecânicas que lembram tanto shooters arcade quanto jogos de skate. A possibilidade de deslizar em corrimões adiciona uma camada interessante de mobilidade – especialmente no primeiro mapa, onde o level design favorece esse tipo de exploração. No entanto, essa liberdade diminui nas fases seguintes, que apresentam espaços mais limitados.

O sistema de progressão também é um ponto forte. Durante as partidas, inimigos dropam melhorias como aumento de dano, ganho de experiencia e habilidades inusitadas, como cadeiras eletrificadas ou ataques de fogo. Além disso, há um robusto sistema de upgrades com passivas divididas por raridade (do comum ao lendário), o que incentiva builds diferentes. O modo Enxame, principal destaque do jogo, desafia o jogador a sobreviver por 12 minutos enquanto cumpre objetivos paralelos criativos, como coletar lixo ou defender CEOs. Apesar disso, o loop pode se tornar repetitivo após algumas horas, especialmente por sua limitação de conteúdo.

O título possuí diversas armas, mas que acabam sendo apenas variações uma das outras / Reprodução: Autor

A revolta das máquinas

Visualmente, Last Man Sitting acerta em cheio ao apostar em uma estética inspirada nos anos 2000. Sua interface remete diretamente aos sistemas operacionais Windows XP e Millennium Edition, criando uma identidade visual única e bem executada. Essa escolha não só reforça o humor do jogo, como também ajuda a imergir o jogador nesse ambiente corporativo caótico.

Já a trilha sonora segue uma linha punk/hardcore que combina perfeitamente com a ação acelerada. No entanto, muitas vezes as músicas aparecem principalmente no menu principal, deixando a desejar durante as partidas. Isso acaba sendo uma oportunidade desperdiçada, considerando que uma trilha bem implementada durante a gameplay ajudaria – e muito – na imersão e na adrenalina em um jogo como este.

O sindicato antirrobôs ataca novamente / Reprodução: Autor

Error no sindicato

Apesar de uma proposta sólida, o desempenho técnico é um dos principais pontos negativos. Em dificuldades mais altas, como difícil e insano, a quantidade de inimigos na tela aumenta significativamente, causando quedas absurdas de performance. Já nos modos mais leves, o jogo roda de forma mais estável.

Outro grande problema do título é a dificuldade de encontrar jogadores nos modos PvP e cooperativo – o que compromete bastante a vida útil do jogo. Os chefes, em geral, são uma decepção total: enfrentamos eles ao final das ondas de inimigos, e dá a impressão de que a quantidade de vida não acompanha o nível do jogador, mesmo em dificuldades mais altas. Com isso, essas batalhas acabam durando poucos segundos e frustrando bastante, já que o design desses chefes é único e, de início, passa aquela vibe de “agora o bicho vai pegar”.

Last Man Sitting entrega diversas passivas interessantes, onde algumas mudam totalmente o looping do combate / Reprodução: Autor

Conclusão

No fim das contas, Last Man Sitting é uma experiência que se destaca muito mais pela sua ousadia e identidade do que pela execução técnica. A mistura de mecânicas inspiradas em rogue survivors e a jogabilidade criativa baseada em mobilidade com cadeiras de escritório cria momentos genuinamente divertidos e diferentes do padrão do gênero. No entanto, limitações claras como o conteúdo raso, a repetitividade do loop, problemas de desempenho em dificuldades mais altas e um design de chefes pouco satisfatório, acabam impedindo o jogo de entregar uma experiencia sólida. Ainda assim, para quem busca algo fora da caixinha, o título entrega uma experiência caótica e carismática que, mesmo com tropeços, consegue entreter em poucas horas e deixar aquele gostinho de “poderia ser ainda melhor”.

Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela Masamune e Raw Fury.

Confira também a nossa análise em vídeo abaixo:

Last Man Sitting
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