Ex-diretor de arte do Halo Studios acusa Microsoft de assédio, retaliação e encobrimento interno

Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)
Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)

Glenn Israel, ex-diretor de arte do Halo Studios, veio a público com acusações sérias contra seus ex-empregadores. Em duas postagens no LinkedIn, ele detalhou o que descreve como um ambiente de trabalho marcado por favorecimento, perseguição e omissão da Microsoft diante de denúncias formais.

Segundo Israel, entre janeiro de 2024 e junho de 2025 ele testemunhou ou vivenciou diretamente uma série de condutas irregulares por parte de representantes seniores do Halo Studios. Entre elas: listas negras, fraude, nepotismo e campanhas de assédio direcionadas a funcionários considerados “indesejados” – mesmo que estivessem em boa situação com a empresa.

Em junho de 2025, Israel formalizou reclamações junto ao departamento de Recursos Humanos da Microsoft. A resposta, segundo ele, foi decepcionante desde o primeiro contato: um representante sênior de Relações com Funcionários (GER, na sigla em inglês) teria ameaçado retaliação e prometido encerrar qualquer investigação antes mesmo de ela começar.

A situação piorou em julho de 2025. Israel afirma que representantes seniores do Halo Studios conduziram uma sequência de quatro dias de assédio com o objetivo de fabricar uma justificativa para demiti-lo. Durante esse período, tanto o supervisor do representante de RH quanto o departamento de Conduta e Conformidade de Negócios (BRI) da Microsoft teriam acompanhado os acontecimentos diariamente – sem tomar qualquer medida.

Israel também relata que reclamações encaminhadas ao BRI e à equipe interna de investigações foram informadas como “encerradas” pelo mesmo representante de RH, quando na verdade tinham sido devolvidas como “fora do escopo”. Em setembro de 2025, um diretor da GER prometeu investigar as retaliações, mas depois impediu que as queixas originais fossem sequer consideradas.

Em agosto de 2025, o Halo Studios enfrentou problemas graves no desenvolvimento de Halo Campaign Evolved. Israel diz que aproveitaram a confusão para realocar temporariamente a equipe de arte do seu projeto não anunciado e, em seguida, classificar o seu cargo como “redundante” – uma manobra que ele descreve como claramente retaliatória.

Além disso, Israel afirma que a Microsoft violou abertamente uma lei trabalhista do estado de Washington entre setembro e novembro de 2025 (RCW 49.12.250), sem nenhuma tentativa de cumprir as obrigações de penalidade previstas.

No segundo post, Israel vai além das suas próprias experiências. Motivado pelo grande número de pessoas que o contataram em privado desde uma postagem anterior, em outubro de 2025, ele levanta suspeitas sobre práticas sistemáticas dentro da Microsoft.

Segundo ele, a empresa pode estar usando demissões em massa como cobertura para se livrar de funcionários que fizeram denúncias legítimas – disfarçando atos de retaliação como decisões de negócio. Ele também suspeita que os órgãos internos de RH são deliberadamente fragmentados para dificultar a responsabilização e criar negação plausível.

Israel encerra com um aviso direto a quem considera trabalhar no Halo Studios ou continuar lá: “Sei que nossa indústria está em situação realmente difícil agora, mas não consigo, em boa consciência, recomendar buscar emprego nessa organização ou continuar lá se você tiver qualquer outra opção. Seu esforço e expertise não são respeitados. Você não é remunerado de forma justa”.

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