Live service de God of War com Atreus teve bastidores problemáticos na Bluepoint, revela Jason Schreier

Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)
Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)

Desde o início de 2025, já era de conhecimento público que a Bluepoint Games estava envolvida no desenvolvimento de um jogo live service da franquia God of War, projeto que acabou sendo cancelado pela Sony antes mesmo de ser anunciado oficialmente. O que faltava, até então, eram detalhes concretos sobre o que deu errado nos bastidores. Essas informações ganharam mais contexto agora com uma nova reportagem de Jason Schreier, jornalista da Bloomberg.

Segundo a apuração, o título seria o primeiro jogo original da Bluepoint desde sua aquisição pela Sony, em 2020. Até então, o estúdio era conhecido quase exclusivamente por remakes e colaborações, tendo auxiliado a Santa Monica Studio no desenvolvimento de God of War Ragnarok. A ideia, no entanto, era que a equipe finalmente deixasse de lado o papel de suporte para liderar um projeto próprio.

O jogo cancelado faria parte da estratégia da Sony de investir em experiências live service. A proposta era criar um título capaz de sustentar atualizações constantes, conteúdo cooperativo e possíveis expansões futuras. Dentro desse contexto, a Bluepoint começou a desenvolver um jogo protagonizado por Atreus, que cairia no submundo e enfrentaria desafios inspirados na mitologia grega.

Fontes ouvidas por Schreier relatam que a ideia central envolvia controlar diferentes versões do personagem ao longo da jornada, possivelmente com foco em cooperação entre jogadores. No entanto, o projeto nunca encontrou uma identidade clara. Grande parte do design permanecia em constante mudança, o que dificultou avanços concretos no desenvolvimento.

Internamente, o projeto também enfrentava resistência. A Bluepoint era um estúdio relativamente pequeno, com forte especialização em arte e engenharia, mas pouca experiência em design de jogos originais – especialmente no modelo live service, considerado um dos mais complexos da indústria. Alguns funcionários questionavam se não seria mais adequado trabalhar em um jogo de ação tradicional, nos moldes de Demon’s Souls ou do próprio God of War, em vez de um título focado em atualização contínua.

Mesmo com apoio de outros estúdios da Sony, o progresso foi lento. Após vários anos de dificuldades, a empresa decidiu cancelar oficialmente o jogo em janeiro de 2025. Na época, a Sony afirmou publicamente que ainda estava “trabalhando de perto” com a Bluepoint para definir um novo projeto, algo que nunca se concretizou.

Sem um projeto ativo e após tentativas frustradas de emplacar novas ideias, a Bluepoint entrou em um longo período de indefinição que culminaria, meses depois, em seu fechamento.

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