Mewgenics – Análise

Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)
Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)

Desenvolvido e publicado por Edmund McMillen (The Binding of Isaac, Super Meat Boy) e Tyler Glaiel (Closure, The End Is Nigh), Mewgenics é um Roguelite de estratégia por turnos com organização e criação de gatos. Apresentado originalmente em meados de 2012, o título enfrentou uma série de problemas ao longo de seu desenvolvimento, incluindo cancelamentos, até ser retomado em 2018 e finalmente lançado ao público após quase 13 anos de espera.

Mewgenics é daqueles jogos cuja arte única fascina desde o primeiro minuto. Muito disso se deve aos seus traços autorais e inconfundíveis, que, ao primeiro olhar, já remetem imediatamente ao estilo característico de Edmund McMillen. Embarque nesta análise e venha acompanhar as aventuras dos felinos mais carismáticos e excêntricos que você já viu.

Miau, Miau

Iniciamos o game sendo apresentados ao cientista Thomas Beanies, que se autodenomina o inventor de todos os gatos. Thomas entra em contato conosco após receber diversas informações de que somos ótimos entendedores de felinos. Logo de início, ele nos dá a opção de escolher um gato macho e uma fêmea para, então, darmos início à nossa aventura felina.

Embora Mewgenics não apresente uma narrativa cativante de início, o título nos introduz a um prólogo simples e que se desenrola de uma forma cômica e bem interessante. Fãs mais assíduos dos trabalhos de Edmund McMillen podem acabar pegando muitas referências de outros jogos do desenvolvedor, até porque a história de Mewgenics faz parte do mesmo universo de seus outros trabalhos.

Descanse em paz, Virgulino / Reprodução: Autor

Gatos são uma ciência

Mewgenics possuí uma gameplay que, de início, não aparenta ser nada profunda, mas com o decorrer de algumas expedições, o game se expande e aprofunda de uma forma genial em seu combate. Uma batalha de turno com gatos pode parecer algo bem besta à primeira vista, mas ao longo de alguns minutos de batalha já somos agraciados com um combate estratégico, maluco e muito divertido.

O cerne do jogo consiste em selecionar quatro de nossos gatos para a aventura. Aí você me pergunta: onde consigo estes gatos? A resposta é simples. Existem duas formas principais de obtê-los em Mewgenics. A primeira é encontrando gatos perdidos no início de cada dia, que geralmente aparecem na porta da nossa safe house. Já a segunda é bem mais “realista” – e estranhamente bizarra –: quando reunidos na safe house, nossos gatos podem acabar procriando das maneiras mais improváveis que você pode imaginar. Além disso, os felinos também podem brigar por espaço. Essas disputas podem resultar tanto em melhorias de status quanto em lesões sérias. Quando feridos, os gatos passam a sofrer penalidades em atributos específicos. Por exemplo: se o gato Virgulino brigar com a gata Tika e acabar com um edema na pata, ele pode ter seus atributos de velocidade ou ataque reduzidos.

Cada gato possuí sete status permanentes, sendo eles força, alcance, constituição, inteligência, velocidade, carisma e sorte. Além disso, no início de cada expedição, cada gato recebe uma passiva, magia ou ataque corpo-a-corpo aleatório, tornando a experiencia com cada felino única. Temos a nossa disposição diversas coleiras que são categorizadas como classes para os felinos. De início, possuímos quatro delas: Lutador, focada em força e golpes a curta distância; Caçador, focada em disparos de longo alcance; Mago, ótimo para lançar qualquer tipo de feitiço e causar dano elemental; e Tanque, esponja de dano da equipe, capaz de empurrar os adversários com facilidade. Conforme avançamos na história, diversas classes vão sendo desbloqueadas, possibilitando mesclas interessantes, abrindo um enorme leque de possibilidades e builds.

Ao fim de cada expedição bem-sucedida, nossos gatos retornam para casa com o status de “aposentados”. A partir desse ponto, eles não possuem mais condições de partir para novas aventuras, servindo apenas como moeda de troca com NPCs ou para procriação. Isso se deve ao fato de que muitos desses felinos aposentados carregam habilidades, passivas e modificadores – positivos e negativos – que podem ser herdados pelas próximas gerações.

Acho que deu ruim para o Tiki / Reprodução: Autor

Procriar é o caminho

Existem diversos NPCs no game que trocam favores em troca de gatos. Isso mesmo: para desbloquear novas mecânicas in-game, capazes de alterar completamente a organização da casa e a própria gameplay, precisamos usar nossos bichanos como moeda de troca. Naturalmente, muitos jogadores ficarão no dilema entre manter um gatinho fofinho, com bons atributos para o combate, ou entregá-lo aos NPCs em busca de melhorias ou novas mecânicas.

Cada NPC possui grande importância para a progressão, já que, além de apresentar novas mecânicas, também fornece dicas sobre sistemas mais avançados do jogo, além de apresentarem um humor ácido e muito peculiar – uma marca registrada das obras de Edmund McMillen. Durante o trajeto entre as dungeons, ainda é possível esbarrar em eventos aleatórios, que podem conceder buffs, debuffs, itens ou até resultar em “trollagens” causadas por animais ou obstáculos pelo caminho, capazes de nos ferir ou transmitir doenças contagiosas.

Meu primeiro gato foi o saudoso Virgulino, cuja árvore genealógica consegui estender por bastante tempo. Com isso, passei a ter felinos que herdavam pequenos traços do Virgulino, como características visuais, habilidades e passivas. A complexidade do sistema de procriação se expande progressivamente, permitindo corrigir problemas genéticos e criar gatos cada vez mais bizarros e poderosos – e, ocasionalmente, criaturas com duas ou mais cabeças.

Quem juntou separa / Reprodução: Autor

Fish Ball Cat

Mewgenics possui uma trilha sonora autoral que dispensa comentários. É aquele tipo de playlist chiclete, que faz você ficar cantarolando ao longo do dia. Cada chefe principal conta com uma música própria. Além disso, o jogo traz faixas que tocam na rádio in-game e, quando estamos na safe house, uma rádio interna fica tocando músicas sem parar. Para completar, ela ainda conta com um locutor que solta pérolas e piadinhas a todo momento.

A banda responsável pela trilha sonora de Mewgenics é a americana Ridiculon, que já fez diversos trabalhos conhecidos em The Binding of Isaac e Super Meat Boy. As letras das músicas são um show à parte, evidenciando o ótimo trabalho realizado pela banda. A grande maioria das faixas tem colaboração com outros artistas, o que engrandece ainda mais a trilha sonora ao trazer composições de gêneros variados.

As formas de procriação de gatos são bem peculiares / Reprodução: Autor

Exército de guerreiros com bigodes

Mewgenics é um jogo que transborda carisma, sustentado por uma identidade totalmente autoral e por um humor ácido – algo já esperado de seus desenvolvedores. Seu combate estratégico por turnos pode, nas primeiras horas, parecer simples e até limitado, mas, à medida que a jogatina avança, revela uma profundidade singular, muito graças ao sistema roguelite aplicado às habilidades e passivas dos gatos.

Ao longo das minhas 62 horas de gameplay, apenas um ponto realmente me incomodou: a duração das incursões, que facilmente ultrapassam os 50 minutos. Ainda assim, esse “problema” pode ser amenizado ao aumentar a velocidade dos combates para 2x ou até 3x. Mewgenics surge como uma grata surpresa de 2026, convidando o jogador a sentir, na própria pele, o mistério e a liberdade das aventuras noturnas vividas por esses adoráveis gatinhos.

Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela Guillotine Agency.

Mewgenics
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