A indústria de jogos eletrônicos no Brasil atingiu um patamar de maturidade que não permite mais o estigma de que games são apenas entretenimento passageiro. O que vimos no encerramento de 2025 foi um marco histórico: o Rio de Janeiro ocupou o topo das maiores premiações do país, enviando uma mensagem clara para investidores e para o setor público.
No prêmio “Brasil Tá Pra Game”, realizado pela EMBRATUR, o desempenho fluminense foi impressionante. Das quatro categorias disponíveis, o Rio conquistou três troféus. O ouro foi para a narrativa envolvente de Irmão do Jorel e o Jogo Mais Importante da Galáxia (Double Dash Studios); o bronze para o rigor técnico de Deathbound (Trialforge Studio); e o destaque de “Revelação” foi para A Lenda de Niterói (Seven Moons). Fomos o estado com a maior representatividade em um evento voltado à exportação da nossa cultura digital.
Essa hegemonia continuou no Festival de Jogos Independentes do SBGames 2025. Das 14 honrarias distribuídas, 4 foram para produções do Rio. Vencemos em áreas que exigem alta competência técnica, como o design sonoro de RitMania (Garoa Games), além do reconhecimento acadêmico de projetos da UFF e da PUC-Rio, como [AFANTASIA] e Rasga-Mortalha.
Como presidente da ACJOGOS-RJ, vejo esses prêmios como uma validação política. É evidente que o mérito principal pertence aos criadores e desenvolvedores. Contudo, existe uma estratégia de fundo que explica esse sucesso: o fortalecimento do ecossistema.
Grande parte desses premiados são membros da nossa associação. São estúdios que colaboram na criação de políticas públicas, utilizam editais de fomento e trocam conhecimento. O Rio de Janeiro liderou a aplicação proporcional de verbas da Lei Paulo Gustavo no setor de games. O resultado que vemos hoje é fruto direto de entender o jogo como uma interseção entre audiovisual, ciência e cultura.
Essas conquistas mostram que, com suporte estatal e organização setorial, o Brasil deixa de ser apenas um consumidor de tecnologia para se tornar um exportador de inovação. Queremos fechar a conta entre o que consumimos (1,5% do mercado global) e o que produzimos efetivamente para o faturamento mundial.
O próximo passo é garantir que esse sucesso se transforme em políticas de longo prazo e estabilidade jurídica, para que nossos talentos continuem criando aqui no Brasil.
Convido todos a prestigiarem esses jogos. Eles são a prova do potencial criativo brasileiro. E para quem é desenvolvedor, fica o chamado: junte-se à ACJOGOS-RJ. A lógica dos games é clara: fases difíceis só são superadas quando jogamos em equipe.
Vamos passar de fase juntos?



