Desenvolvido pela Funny Fintan Softworks e distribuído pela Kwalee, Don’t Stop, Girlypop é um boomer shooter ritmado que mergulha de cabeça na estética Y2K com uma overdose proposital de rosa, brilho e exageros. Com uma proposta que mistura ação frenética e uma identidade visual deliberadamente cafona, o jogo tenta se destacar ao combinar mecânicas clássicas de tiro em primeira pessoa com um discurso sobre amor, solidariedade e estilo. O resultado é uma experiência peculiar que alterna entre momentos criativos e decisões de design questionáveis. Embarque nesta análise extravagante e cheia de purpurina!
Rosa, muito rosa
A narrativa de Don’t Stop, Girlypop leva o jogador ao planeta Oasis, um mundo distante onde o amor reina e fadas e criaturas mágicas coexistem em uma sociedade altamente tecnológica. Esse equilíbrio é quebrado quando a gananciosa megacorporação Tigris Nix invade o planeta com o objetivo de explorá-lo e destruí-lo em nome do progresso e do lucro.
Durante a invasão, Imber, a guardiã de Oasis, desperta para assumir o papel de protagonista e liderar a resistência ao lado do chamado “esquadrão rosa”. A narrativa mantém um tom satírico e exagerado, constantemente questionando se os personagens são de fato o “resumo de amor, solidariedade e simpatia” enquanto enfrentam uma guerra corporativa.

Espalhe o amor!
O gameplay segue a base de um boomer shooter com foco em movimentação constante e combate em arenas. O jogo reforça a ideia de que o jogador nunca deve parar de se mover, oferecendo mecânicas como dash, grappler e uma espécie de bunny hop inspirado em Counter-Strike para acelerar a locomoção. Há também uma mecânica de investida e um sistema de parry que permite refletir projéteis de volta aos inimigos, incentivando timing preciso e agressividade. Na prática, porém, apesar de todas essas ferramentas, a movimentação não entrega a sensação de velocidade e adrenalina esperada. Mesmo com tantas opções de mobilidade, a execução soa lenta e pouco satisfatória, falhando em transmitir aquela adrenalina de ser ou estar realmente rápido.
O arsenal de armas segue a mesma linha criativa e exagerada da estética do jogo. Entre os destaques está uma shotgun que dispara uma bola de espinhos brilhantes que se espalha para todos os lados ao impacto, ideal para limpar grupos de inimigos em arenas fechadas. Há também uma submetralhadora de bolhas que literalmente enche os inimigos de “sabor” até que explodam com o impacto final, trazendo um tom cômico ao combate. Já a mega sniper estilosa funciona como uma arma de controle de campo: ela finca inimigos menores nas superfícies do cenário e atordoa adversários maiores, criando aberturas estratégicas.
Outro elemento central é o sistema de estilos, que permite encantar armas e seus braços com tecidos e ornamentos bem bregas e cafonas. Ao final de cada missão, o jogador recebe notas baseadas em tempo, estilo e colecionáveis coletados, estimulando replay e otimização. O jogo conta com três níveis de dificuldade bem-humorados – Menina usando saia como blusa (fácil), Girlypop (normal) e Malvada (difícil). Ainda assim, o design de combate sofre com batalhas de arena repetitivas que se estendem além do necessário, diminuindo o impacto das mecânicas. Se unindo a isso uma interface confusa, que dificulta identificar inimigos e projéteis no radar, prejudicando a leitura de combate.

Esquadrão rosa
Visualmente, Don’t Stop, Girlypop aposta em gráficos cafonas de propósito, com forte inspiração na estética do início dos anos 2000. O estilo Y2K está presente em cada detalhe, desde o design de armas até a saturação extrema das cores – especialmente o rosa, presente em praticamente todos os elementos. Embora essa direção artística seja coerente com a proposta, o excesso de saturação pode cansar os olhos após algumas horas de gameplay. Em compensação, os segmentos em FMV com atores reais são um show à parte, muito por conta das conversas cômicas e exóticas – mas não espere atuações de ponta, já que boa parte desses atores em FMV são os próprios desenvolvedores do game.
A trilha sonora é um dos pontos altos, extremamente animada e que remete a músicas pop clichês dos anos 2000 e acompanha bem o ritmo das fases e, principalmente, das boss fights, onde se tornam ainda mais divertidas. As faixas ajudam a sustentar o tom irreverente e dão identidade ao jogo, reforçando a sensação de que tudo ali é exagerado e propositalmente brega.

Saturação e música eletrônica
Don’t Stop, Girlypop é uma experiência estilizada e ousada que abraça o exagero estético e narrativo do começo ao fim, com um universo vibrante, trilha sonora contagiante e ideias interessantes de gameplay. No entanto, problemas como a movimentação pouco satisfatória, combates repetitivos e uma interface confusa impedem que ele alcance todo o seu potencial. Ainda assim, para quem busca um boomer shooter fora do convencional, com muito rosa e um humor autodepreciativo, a jornada de Imber em Oasis oferece uma aventura curiosa e divertida.
Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela Kwalee.



