Desenvolvido pela Stoic (The Banner Saga) e publicado pela Xbox Game Studios, Towerborne é um action RPG brawler lançado em 2024 no Steam (e em 2025 no Xbox) por meio de acesso antecipado. Inicialmente, o título adotava o formato live service, com eventos limitados, conteúdo sazonal e progressão persistente, incentivando retornos diários ao jogo para manter o tradicional loop de engajamento do gênero.
No entanto, a Stoic decidiu promover uma reviravolta na trajetória de Towerborne e, com o lançamento da atual versão 1.0, abandonou o modelo live service para focar em uma experiência premium mais fechada. Não à toa, o jogo também deixou de lado a ideia de ser gratuito no lançamento e passou a custar R$ 80 em definitivo – o mesmo valor praticado durante o período de acesso antecipado.
Como um bom hater do modelo live service – salvo raras exceções funcionais –, especialmente em um gênero não tão popular como os brawlers, fico feliz com a decisão da Stoic de preservar o legado de seu jogo e espero que isso, de certa forma, sirva de lição para outras empresas. Mas, deixando a palestrinha anti-live service de lado, vamos ao que importa! E aí, Towerborne presta? É isso que você, leitor, vai descobrir abaixo. Vem comigo nesta análise de um título tão curioso quanto Towerborne!
Numerópolis
Após séculos de opressão causada por monstros, a humanidade criou um lugar próspero e protegido de todo o mal, chamado Numerópolis. Certo dia, explosões atingiram os arcanopilares da cidade, fazendo com que Gobos, Amaldiçoados e outros seres invadissem a região, causando caos e transformando o fatídico acontecimento no que ficou conhecido como Anoitecer. Nosso protagonista, então, ajuda moradores da cidade e os guia até o Campanário, uma das últimas localidades seguras para a humanidade. Ainda no início do game, caímos em batalha e somos resgatados por Paloma, que prontamente nos torna um Ás – guerreiros que atuam como a última linha de defesa do Campanário. A partir daí, nossa jornada começa, buscando descobrir os mistérios do ataque a Numerópolis e purificar a corrupção que assola o mundo.
O início de Towerborne pode parecer um pouco confuso devido à quantidade de conceitos introduzidos sem muitos detalhes, como a energia Mirus, o reino espiritual da Maré e os pequenos seres Umbra, fazendo com que o jogador fique levemente perdido. Porém, conforme interagimos com NPCs importantes e progredimos pelo mundo, as peças começam a se encaixar, e descobrimos mais sobre esse universo misterioso. O desenvolvimento da história entre os NPCs do Campanário – que se conhecem e possuem relações próprias – também é muito bem feito, e cada diálogo fornece informações relevantes sobre seus laços, seja de forma séria ou por meio de piadas.
Em geral, a história de Towerborne é surpreendentemente elaborada, ainda mais quando consideramos que diversos brawlers pouco se preocupam em desenvolver a narrativa, focando mais no gameplay – que, embora seja o que carregue o gênero nas costas, não deveria servir de desculpa para negligenciar a história. Questões políticas, traições e sacrifícios estão presentes na campanha e, embora sejam discutidas de forma casual, engajam o jogador e despertam a curiosidade para entender melhor os conflitos que permeiam o mundo do game.

Andando e cortando
A primeira coisa que fazemos ao iniciar nosso gameplay é criar um personagem. Towerborne conta com uma vasta gama de opções de customização, como cores, cabelos, olhos, narizes, bocas e afins, sendo possível criar desde belíssimos Áses até verdadeiras aberrações da natureza – como deve ser em todo jogo que oferece criação de personagens.
Após deixar nosso Ás visualmente pronto, é hora de escolher sua classe. Em Towerborne, há quatro opções: o Sentinela, com a tradicional combinação de espada e escudo, capaz de aparar golpes; o Piroclasta, que utiliza uma clava de guerra e pode incendiar inimigos; o Quebra-Pedras, que usa manoplas e os próprios punhos como arma; e o Espectral, minha classe de preferência, que empunha adagas duplas e foca na agilidade – afinal, como não amar golpes rápidos?

Cada classe conta com armas e golpes exclusivos, além de diversas melhorias que podem ser adquiridas por meio da árvore de habilidades. Curiosamente, podemos trocar de classe a qualquer momento, e a árvore de habilidades pode ser reiniciada quando quisermos. Isso incentiva a experimentação constante de classes e builds, permitindo que o jogador encontre o estilo de gameplay mais satisfatório.
E falando em gameplay, Towerborne é um brawler tradicional, ainda que mais elaborado que a média graças aos seus sistemas de RPG. A dinâmica é simples: entre no mapa, limpe a região, receba seus itens e repita o processo. Embora o jogo ofereça equipamentos com bônus variados e opções de aprimoramento que possibilitam criar sinergias interessantes, o núcleo permanece o mesmo: equipe o que há de melhor e parta para a batalha.
O combate é fluido e permite a criação de diversos combos, tanto no chão quanto no ar, formando uma verdadeira dança de golpes que é bonita de se ver. Conforme aprimoramos nossa classe, desbloqueamos novos ataques, expandindo ainda mais nosso arsenal. Além disso, cada classe possui habilidades exclusivas, e ainda contamos com o auxílio do nosso amigo espiritual Umbra, que também pode desferir ataques durante o combate.

A dificuldade de Towerborne é outro ponto que merece destaque. Diferentemente de outros brawlers, que muitas vezes pecam no equilíbrio, o título da Stoic entrega combates satisfatórios tanto no modo solo quanto no cooperativo. Mesmo com quatro níveis de dificuldade disponíveis – sendo um deles desbloqueado após finalizar a campanha –, há um sistema interno que ajusta o desafio de acordo com o número de jogadores na equipe.
No Campanário, também encontramos o quadro de contratos, onde há uma vasta gama de missões secundárias que concedem experiência, Poeira de Espírito (utilizada para melhorias), Escrituras (usadas para cosméticos) e novas habilidades. Essas missões geralmente trazem desafios específicos, como derrotar determinado inimigo antes do tempo acabar ou completar rodadas de hordas, diversificando o padrão de simplesmente limpar áreas presente nas missões principais.
Os cosméticos mencionados estão disponíveis em grande quantidade e, como na “era de ouro” dos games, absolutamente todos podem ser conquistados jogando e acumulando Escrituras, que dropam tanto nas missões principais quanto nas do quadro de contratos. O jogo também utiliza um sistema de transmog em todos os equipamentos, permitindo aplicar diferentes visuais sem alterar os atributos originais do item – algo essencial para evitar aquelas combinações que “matam a moda”, se é que vocês me entendem.

Infelizmente, um dos grandes downgrades em relação ao modelo live service – quem diria que eu estaria dizendo isso – foi a remoção do crossplay. Durante o período de acesso antecipado, era possível encontrar diversos jogadores reais pelo Campanário, abrangendo as plataformas PC e Xbox. Com a chegada da versão 1.0, apenas NPCs permanecem no local, e não há qualquer suporte a crossplay entre PC, Xbox Series X|S e PlayStation 5, limitando as possibilidades de cooperação. Para piorar, a versão de PC, até o momento, também não conta com modo cooperativo local – algo praticamente essencial em brawlers e que, infelizmente, está disponível apenas nos consoles. Pesquisando um pouco, descobri que a Stoic pretende adicionar essa funcionalidade no futuro, mas não há prazo definido. Que vacilo!
Uma pintura em movimento
Eu já sabia que Towerborne era um jogo bonito desde seus primeiros trailers, mas não imaginava que ele estaria ainda mais impressionante em sua versão final. Sem exageros, é um dos títulos mais deslumbrantes que tive o prazer de conferir nos últimos anos. A Stoic combina o estilo cel shading nos personagens com cenários de tirar o fôlego, que mais parecem pinturas em movimento. A aventura passa por diversas regiões distintas – como campos verdejantes, áreas litorâneas, florestas fúngicas e montanhas nevadas – garantindo uma ótima variedade visual ao longo da jornada.
A trilha sonora complementa bem o gameplay. Embora não seja exatamente marcante, cumpre seu papel com competência, criando momentos sentimentais e acolhedores enquanto estamos no Campanário, além de acompanhar com intensidade as batalhas tradicionais e os confrontos contra chefes. As músicas escalam de acordo com a progressão das missões, reforçando o peso de cada momento e contribuindo para a imersão.

Isto é Towerborne
Esperei por bastante tempo pela versão final de Towerborne com certa expectativa – e fico feliz em dizer que não me decepcionei. A Stoic conseguiu entregar um produto divertido na medida certa, com uma campanha envolvente, gameplay absurdamente satisfatório e uma direção artística estonteante. Towerborne tem potencial para agradar tanto quem busca uma experiência mais descompromissada e relaxante quanto os jogadores hardcore do gênero brawler. Para estes últimos, no entanto, fica a esperança de que o crossplay e o couch co-op sejam implementados o quanto antes, para que a experiência fique realmente completa.
Esta análise é baseada na cópia de PC (Steam) fornecida pela Xbox Game Studios



