Desenvolvido e publicado pela Grasshopper Manufacture, ROMEO IS A DEAD MAN é um hack and slash de ação e aventura que possui fortes influências de animes e tokusatsus japoneses, muito por conta de quem está por trás deste projeto: o carismático diretor Suda51.
Quando ROMEO IS A DEAD MAN foi apresentado durante um State of Play em 2025, fiquei bastante empolgado, tanto por se tratar de um novo trabalho do Suda51 quanto por ser uma nova IP do diretor. O jogo chamou atenção por seu visual de nova geração e por um combate que aparentava ser divertido.
ROMEO IS A DEAD MAN entrega tudo o que se espera das maluquices e da criatividade de Suda51, sendo uma montanha-russa, com muitos altos e, também, muito baixos. Embarque nesta análise e venha acompanhar essa aventura maluca do policial Romeo, em busca de sua namorada através do espaço-tempo.
Romeo, digo, Dead Man
Começamos o game na pele de Romeo, um delegado da pacata cidade de Deadford. Durante uma noite de patrulha, Romeo é atacado por um demônio branco. Seu avô surge por um portal no espaço tempo para tentar ajudá-lo, mas já é tarde demais. Assim, o vovô injeta uma seringa cibernética em Romeo, transformando-o em Dead Man – com um visual totalmente inspirado em Kamen Rider. Ao fazer isso, o avô de Romeo acaba sacrificando a própria vida, mas termina se fundindo magicamente à jaqueta do nosso protagonista – uma origem simples, maluca e bem característica do Suda.
Nosso objetivo principal é ir atrás de Juliet, nossa namorada, que é uma das pessoas mais procuradas da polícia do espaço-tempo (FBI). Como Romeo tem afinidade com Juliet, ele consegue rastrear suas variantes pelo espaço-tempo. É, sem dúvidas, uma história super boba, mas que conta com personagens carismáticos e interessantes, fazendo com que você acabe comprando a ideia do título.

Morto, mas ainda vivo
ROMEO IS A DEAD MAN possui um combate bem divertido e uma ampla variedade de armas e itens que o expandem ainda mais. São quatro armas melee e quatro armas de longo alcance, todas obtidas já no inicio da jornada e que podem ser trocadas a qualquer momento durante o combate, tornando-o o hack and slash mais dinâmico do Suda51.
Ao atacar inimigos com golpes melee, nossa barra de “verão sangrento” – o ataque especial do personagem – é carregada e, além de causar alto dano, o golpe também restaura parte da vida de Romeo. Esse especial pode ser usado tanto com armas melee quanto com armas de longo alcance, permitindo encaixar alguns combos interessantes.
O jogo conta ainda com a mecânica dos “bastardos” em seu combate. Basicamente, cultivamos zumbis com habilidades aleatórias, que podem ser invocados durante as lutas com efeitos de dano, cura, atordoamento, entre outros. O título também possui um minigame para preparar nossos consumíveis (katsu karê), no qual recebemos um rank com base na preparação, reforçando os status de Romeo durante as lutas.
Ao morrer, temos as mesmas brincadeiras já vistas em jogos anteriores do Suda51, com o surgimento de uma roleta que pode conceder vantagens como aumento de defesa, aumento de ataque, ressurreição, etc. – muito para facilitar a nossa gameplay e também para tirar uma onda com a cara do jogador. No geral, a gameplay de ROMEO IS A DEAD MAN é uma mistura de todos os outros títulos do Suda, tornando-o o mais completo – ao menos no quesito gameplay.

Certo Romeo, digo, Dead Man
Elogiar a parte criativa do Suda51 é chover no molhado, mas é surreal a quantidade de sátiras e tiradas presentes nos jogos desse cara. Em ROMEO IS A DEAD MAN, o produtor satiriza as tradicionais missões secundárias encontradas em jogos de mundo aberto, adicionando missões paralelas inusitadas. Um exemplo é quando Romeo recebe o certificado do FBI, mas, para torná-lo válido, ele precisa que todos da nave assinem o papel – sem contar que os próprios NPCs questionam e zoam a situação, com deles chegando a quebrar a quarta parede.
Grande parte da narrativa é contada por meio de quadrinhos – típico da sétima geração de consoles –, e aqui isso é muito bem executado, com visuais caprichados e bem estilizados. A mistura de gráficos 3D com itens de cenário pixelados adiciona aquele charme extra que só jogos do Suda conseguem oferecer, embora deva admitir que, em alguns momentos, essa combinação não se encaixa tão bem.
O título aborda diversas épocas diferentes, casando muito bem com a premissa da história, onde nos movemos pelo espaço-tempo atrás de Juliet. Repleto de referências à cultura pop, o jogo vai além e brinca com vários gêneros, apresentando momentos em que estamos jogando uma visual novel, um side-scrolling 2D e até mesmo um survival horror.
Infelizmente, ROMEO IS A DEAD MAN não se sustenta em sua progressão, já que insiste em introduzir, em diversos momentos, um sistema chamado de TV Nirvana que, embora interessante de início, se torna repetitivo e frustrante após algumas horas. A TV Nirvana é um elemento central do jogo, funcionando como um sistema que conecta dimensões. Sempre que precisamos avançar de um cenário para outro, acessamos ela e, pasmem: dentro dela resolvemos quebra-cabeças extremamente repetitivos, acompanhados de sessões de plataforma frustrantes. Para piorar, há fases que exigem backtracking utilizando essa mecânica, tornando o ritmo do jogo ainda mais tedioso e arrastado.

Deadman, digo, Romeo
As primeiras duas horas de combate de ROMEO IS A DEAD MAN nos apresentam inimigos e chefes extremamente bem feitos e divertidos de enfrentar, mas, assim como acontece com a progressão, o jogo peca bastante nesse aspecto. Fica a sensação de que a criatividade em relação aos inimigos – e principalmente aos chefes – foi deixada de lado, com os confrontos do terço final soando mais como batalhas contra inimigos comuns do que como lutas marcantes. Os primeiros chefes elevam muito a expectativa do jogador, trazendo criaturas muito bem elaboradas, muitas delas com claras referências aos trabalhos do saudoso Junji Ito.
A trilha sonora é um ponto fora da curva, com diversas musicas empolgantes que se encaixam perfeitamente com o combate visceral, rápido e divertido.

Romeo realmente está morto
ROMEO IS A DEAD MAN é, no fim das contas, um jogo que traduz perfeitamente o espírito criativo e caótico do Suda51, oferecendo uma direção artística cheia de personalidade, humor ácido, inúmeras referências à cultura pop e um sistema de combate ágil e divertido. O título consegue entregar momentos genuinamente empolgantes e memoráveis, especialmente nas primeiras horas da campanha.
No entanto, essa mesma montanha-russa criativa também evidencia alguns problemas claros. A progressão irregular, o uso excessivo e repetitivo da mecânica da TV Nirvana e a queda de qualidade no design de inimigos e chefes no terço final acabam prejudicando o ritmo da experiência. O jogo começa com ideias fortes e muito carisma, mas não consegue sustentar o mesmo nível de criatividade e impacto ao longo de toda a jornada.
Mesmo com seus altos e baixos, ROMEO IS A DEAD MAN continua sendo uma experiência diferente dentro da indústria. Para fãs do estilo excêntrico do Suda51, o jogo entrega exatamente aquilo que se espera: uma mistura de humor absurdo, combate divertido e uma narrativa que não tem medo de ser completamente maluca. Talvez não seja o trabalho mais consistente do Suda, mas certamente é mais uma prova de que poucos criadores conseguem entregar algo tão singular quanto ele.
Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela Renaissance PR e GRASSHOPPER MANUFACTURE.



