Finalizar RPGs pode causar “depressão pós-jogo”, aponta estudo científico

Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)
Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)

Você já terminou um RPG e ficou com aquela sensação de vazio, sem saber o que fazer da vida? Esse sentimento tem nome – e agora tem até escala de medição. Pesquisadores das universidades polonesas SWPS e Stefan Batory criaram a primeira ferramenta científica para medir a intensidade da chamada “depressão pós-jogo” (P-GD, na sigla em inglês), publicando os resultados no periódico internacional Current Psychology.

O estudo envolveu 373 jogadores de diferentes gêneros e identificou quatro dimensões do fenômeno: ruminações relacionadas ao jogo (pensamentos intrusivos sobre o enredo), dificuldade de aceitar o fim da experiência, necessidade de rejogá-lo e anedonia midiática – ou seja, perda de interesse em outros produtos de entretenimento após o término da obra. Entre esses aspectos, as ruminações foram as mais intensamente relatadas pelos participantes.

Os jogadores de RPG se mostraram os mais vulneráveis ao problema. Segundo o pesquisador Kamil Janowicz, nesses jogos os jogadores exercem grande influência sobre o desenvolvimento dos personagens e constroem vínculos emocionais profundos com eles – o que torna o retorno à realidade consideravelmente mais difícil ao fim da jornada.

O estudo também revelou que a intensidade da P-GD está associada a sintomas depressivos mais fortes e menor bem-estar geral. Pessoas com tendência a ruminar pensamentos negativos ou a lidar com dificuldade com as próprias emoções são especialmente suscetíveis. Os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível determinar a direção exata dessa relação – se o jogo piora o estado emocional, ou se quem já está emocionalmente vulnerável sente o impacto com mais força.

Para os autores, a P-GD funciona como um luto específico, semelhante à despedida de alguém querido ou ao encerramento de uma fase importante da vida. O fenômeno, amplamente discutido em fóruns de jogadores, era até então ignorado pela ciência – e os resultados agora levantam questões éticas sobre como desenvolvedores de jogos deveriam considerar o impacto emocional de suas obras no bem-estar dos jogadores.

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