O ano é 2026, e estamos recebendo um novo Bubsy no estilo 3D antes do retorno de franquias como Jak and Daxter, Sly Cooper, Banjo-Kazooie e Ape Escape. Charles, o mundo não é mais o mesmo.
Bubsy 4D é a mais nova entrada na franquia do bobcat mais infame do planeta. Desenvolvido pelo pequeno estúdio indie Fabraz, conhecido por platformers incríveis como Demon Turf e Demon Tides, e publicado por ninguém menos que a Atari, o título marca o retorno de Bubsy ao 3D desde… bem, o próprio Bubsy 3D, um dos piores platformers da história, mas que, não ironicamente, ajudou a definir o gênero – e foi onde eu criei um certo carinho pela franquia.
Sua demonstração estava disponível no PC desde outubro de 2025, e aqueles que a conferiram certamente puderam sentir o quão especial é esse jogo, em todos os aspectos. Bubsy 4D é, com muita folga, o melhor jogo da franquia, e conseguiu trazer de volta aos holofotes um personagem que, embora odiado por muitos (vocês são canalhas), é icônico para a indústria de games.
Confira comigo mais detalhes sobre um dos possíveis melhores platformers do ano!
Novelo dourado
Ao iniciar Bubsy 4D, tive uma surpresa (nem tanto, já que joguei a demo): tecnicamente, ele é uma sequência de Bubsy: The Woolies Strike Back, de 2017, jogo em que foi introduzido o objeto favorito de Bubsy: o Golden Fleece – um novelo de lã dourado. Naquela vez, Bubsy teve seu novelo roubado pelos Woolies, tradicional raça alienígena e inimigos históricos da franquia. Ao derrotar as icônicas irmãs Poly e Ester, Bubsy recuperou seu novelo, e o jogo enfim acabava.
Agora, o Golden Fleece volta a ser o tema central, mas o inimigo é outro. Os Woolies roubam todas as ovelhas da Terra, mas seus planos dão errado após os ovinos se rebelarem, tomando toda a tecnologia Woolie, seus planetas e formando os temidos Baabots. Dessa vez, são as ovelhas que roubam o novelo de Bubsy, fazendo com que nosso bobcat favorito parta em uma jornada interplanetária ao lado de seus sobrinhos Terry e Terri, seu amigo Virgil, e a menina que tem um crush não correspondido por ele, Oblivia, a fim de recuperar seu amado objeto.
Como esperado não só de Bubsy, mas de jogos de plataforma em geral, sua história não é grande coisa e serve apenas como pano de fundo para combatermos os Baabots e reunirmos fragmentos do Golden Fleece. No entanto, devo elogiar todos os personagens presentes no game, sejam os principais ou os Woolies e Baabots secundários encontrados nas fases. As personalidades são incríveis e exageradas, transmitindo todo aquele tom caricato e, de certa forma, cringe que Bubsy sempre teve – mas agora de forma natural, sem soar forçado como em jogos anteriores da franquia. Terry é um garoto bobinho, Terri é uma garota que não tolera o cringe do tio, Virgil é mais racional e sempre tira sarro da burrice de Bubsy, e Oblivia não se cansa de errar o nome do bobcat para irritá-lo. No fim, parece que todos odeiam Bubsy, mas tudo não passa de uma ótima comédia.

Momentum: The Game
Quem já havia conferido a demo sabe muito bem que Bubsy 4D é um platformer momentum-based, isto é, um jogo em que o embalo e velocidade acumulada do personagem são parte central da gameplay. Bubsy pode saltar, planar, lançar-se no ar, virar uma bola de pelos, escalar paredes e atacar inimigos – que não marcam grande presença. A chave da movimentação está na mistura dos movimentos de salto, planagem e avanço no ar para as plataformas, e a transformação na bola de pelos para rolar de forma rápida pelo mapa. Alcançar o tempo-objetivo das fases é um verdadeiro desafio, que certamente vai agradar os speedrunners, mas deixar casuais de cabelo em pé – embora valha destacar, não é algo obrigatório. Em geral, Bubsy 4D lembra uma mistura curiosa de Mario e Sonic, combinando características-chave das duas franquias para criar uma movimentação deliciosa e que irá agradar a todos os públicos.

Também vale destacar a presença de um leaderboard por fases, no qual podemos competir contra o fantasma de outros jogadores e registrar nossos melhores tempos – algo essencial em jogos do gênero e que, novamente, cai como uma luva para a comunidade de speedrun.
Se você não é dos melhores nas plataformas, saiba que nem só no tempo Bubsy 4D vai lhe desafiar. As fases são muito bem construídas e apresentam múltiplos caminhos em determinados momentos, possibilitando coletar novelos de lã, utilizados para comprar roupinhas; blueprints, que servem para aprimorar nossos movimentos; medalhas por bater o tempo da fase; e pedaços do Golden Fleece, que são indicativos de que a fase foi concluída. A presença dos coletáveis não só diversifica o jogo, como também torna o fator replay mais divertido, já que o jogador terá que repetir as fases para encontrar todos os itens, decorar o melhor percurso e conquistar o melhor tempo.
É claro, nem tudo na jogabilidade de Bubsy 4D é perfeito – e jamais seria, afinal, ainda é um Bubsy. Em determinados momentos, principalmente durante escaladas, não é incomum a câmera perder o foco do Bubsy e exibir a construção do cenário na qual estamos interagindo. Além disso, o controle da bola de pelos é “engraçado”, e leva tempo para se acostumar com sua movimentação, especialmente no que tange à aterrissar o Bubsy no lugar certo após um salto.
Em suma, Bubsy 4D oferece uma gameplay acessível tanto à jogadores casuais no gênero plataforma quanto aos hardcores, entregando diversão das mais diferentes maneiras a todos os públicos e desenvolvendo um momentum que poucos jogos do gênero conseguem aplicar atualmente.

Hello twerps
Bubsy 4D oferece um total de três planetas distintos, com temáticas como lã, papelão e lixão eletrônico. Todos são bonitinhos e fazem ótimo uso de uma estética colorida, embora, em termos de jogabilidade, o planeta lixão deixe a desejar por abusar de plataformas altas, o que pode atrapalhar o flow. Curiosamente, o jogo me lembrou bastante a franquia LittleBigPlanet em alguns aspectos visuais.
Cada mundo abriga um total de cinco fases, sendo a última uma batalha contra um chefe Baabot. Além disso, cada fase possui 150 novelos e uma blueprint para coletar. Embora os mapas não sejam grandes, eles oferecem um ou outro caminho alternativo, onde geralmente podemos encontrar a blueprint, além de alguns novelos escondidos.

A trilha sonora que nos acompanha é divertida e carregada de tons mais swing, embora seja difícil definir exatamente seu gênero. Não chega a ser excepcional, mas é agradável o suficiente para tocar ao fundo enquanto jogamos.
Não só isso, o voice acting do jogo é muito bem feito, representando com perfeição a personalidade exagerada de cada personagem. Senti falta uma presença maior das vozes, que só podem ser ouvidas em cenas específicas que desenvolvem a história.
Infelizmente, não há opção de Português do Brasil no game. Isso não chega a ser um grande problema para mim, especialmente quando levamos em conta que a história não é – e provavelmente nunca será – o ponto forte de Bubsy. No entanto, considerando que a Atari é a publicadora envolvida com o título, fica a sensação de que poderia haver um esforço maior no quesito localização.

What could pawsibly go wrong
Nos últimos anos, tive contato com boa parte dos jogos da franquia Bubsy, com exceção das versões de Atari Jaguar e Game Boy. Se me dissessem, naquela época, que eu daria uma nota positiva para um jogo da série, eu chamaria essas pessoas de loucas. Mas cá estamos.
Bubsy 4D é uma experiência gostosinha de se jogar, com um humor divertidíssimo. Com uma jogabilidade precisa, incrementada por um ótimo momentum, personagens carismáticos e uma estética charmosa, o jogo coloca um dos mascotes mais infames dos videogames de volta aos holofotes – e, se tudo der certo, dessa vez é pra ficar.
A equipe Fabraz conseguiu, novamente, entregar um platformer de altíssimo nível e, apesar de algumas questões a serem aprimoradas aqui e ali – em certos casos, sem relação direta com o estúdio –, é inegável que estamos diante de um dos melhores jogos de plataforma de 2026.
Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela Plan of Attack e Atari
Confira também a nossa análise em vídeo abaixo:



