Mina the Hollower – Análise

Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)
Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)

Anunciado lá em 2022 com uma campanha no Kickstarter, Mina the Hollower já ganhou muitos holofotes, muito por conta de seu lindíssimo visual em pixel art e também da equipe por trás do título: os mesmos criadores do aclamado Shovel Knight. O game teve um longo período de desenvolvimento, somando seis anos no total, além de dois adiamentos nesse meio-tempo, mas toda essa espera valeu a pena! Mina the Hollower chega recheado de conteúdo, charme e uma exploração que cativa a cada minuto jogado.

Desenvolvido e publicado pela lendária Yacht Club Games, Mina the Hollower é um jogo de plataforma em 8-bits que se inspira fortemente na base conceitual de The Legend of Zelda: Link’s Awakening. O título pega os fundamentos de Link’s Awakening e os evolui, trazendo mecânicas de combate e exploração mais atuais.

Embarque nesta análise e venha escavar toda a Ilha Tenebrosa para, juntos, restaurarmos a energia do local.

Liberdade ou solidão? / Reprodução: Autor

A escavadora favorita da galera

A narrativa de Mina the Hollower se desenrola na Ilha Tenebrosa, onde nossa protagonista, Mina, uma excepcional escavadora, tem a missão de restaurar a luz de Ossex. Foi ela a responsável por construir os engenhosos geradores de centelha que trouxeram prosperidade à cidade.

No entanto, boa parte da ilha está agora mergulhada na escuridão, e monstros começaram a surgir após os apagões. A missão de Mina é dada pelo Barão Lionel, que solicita à heroína o conserto dos seis geradores espalhados pela ilha para garantir a segurança do povo de Ossex.

Simultaneamente, o maligno Thorne busca destruir todas as torres de centelha, mobilizando diversos soldados monstruosos para sua causa. É nessa premissa que a aventura de Mina the Hollower se inicia.

A apresentação da narrativa de Mina the Hollower parece simples e até boba à primeira vista, mas carrega ótimas linhas de diálogo que te fisgam e arrancam alguns sorrisos aqui e ali. Muitos personagens cumprem papéis cômicos e até irônicos, algo que é muito bem executado pelo jogo.

Para Mina, missão dada é missão cumprida! / Reprodução: Autor

Com determinação, Mina

O sistema de combate de Mina the Hollower oferece uma boa variedade de opções desde o início. Podemos escolher entre três armas iniciais: Soturna e Noturna (adagas leves e rápidas), Estrela da Noite (uma maça poderosa com ataque à distância) e Malho Destruidor (uma marreta explosiva de alto impacto). Mais adiante na aventura, outras armas interessantes são introduzidas, como o Caixão dos Guardiões, um escudo multiuso que causa dano, defende e apara golpes, e o Canhão de Energia, que alterna entre disparos e golpes corpo a corpo, carregando seus tiros ao causar dano nos inimigos.

Esse arsenal diversificado permite que cada arma molde e altere significativamente a jogabilidade. Além das armas principais, Mina também pode usar subarmas, geralmente voltadas para ataques de longo alcance ou até mesmo para alcançar plataformas distantes. Essas subarmas são carregadas ao coletarmos joules – pequenos frascos azuis encontrados ao destruir itens do cenário.

A principal mecânica do jogo é a escavação, que serve tanto como esquiva no combate quanto para exploração. Embora leve um tempo para dominar o timing da escavação e escapar dos ataques inimigos, já que a personagem fica vulnerável por alguns frames ao mergulhar, essa é uma das mecânicas mais bem utilizadas durante diversos momentos da aventura.

Mina the Hollower também apresenta um sistema de plasma comparável ao de Bloodborne, no qual recuperamos vida ao atacar os inimigos. Junto a isso, temos a famosa mecânica dos soulslikes, em que perdemos nossos ossos – a moeda de experiência do jogo – ao morrer, mas com a possibilidade de recuperá-los posteriormente.

Em alguns momentos, Mina the Hollower soa muito como um soulslike 2D, principalmente por conta da IA dos inimigos, que muitas vezes contornam o personagem na surdina, além de demonstrarem uma velocidade surpreendente em certas situações.

Pessoas sumindo em espelhos, Real ou Barça? / Reprodução: Autor

Guilda dos escavadores

A jogabilidade de Mina the Hollower é rica em mecânicas e elementos de RPG. O jogo apresenta puzzles inteligentes e um level design denso e compacto, que testa as habilidades do jogador tanto em combate quanto em plataformas de precisão.

O mapa da Ilha Tenebrosa é gigantesco e variado, levando o jogador de picos congelados à barriga de um enorme dragão. Em alguns momentos da exploração, me senti tão perdido quanto em Hollow Knight, mas, sempre que encontrava o caminho ou avançava na aventura, era muito bem recompensado pela exploração.

No lobby central de Ossex, há um jornaleiro que atualiza as notícias a cada centelha recuperada, divulgando os feitos de Mina e oferecendo dicas de sidequests iniciadas pelo jogador ou até mesmo daquelas que acabaram passando despercebidas. Além disso, ele também comenta sobre as próximas centelhas da campanha principal, sempre com textos charmosos e bem-humorados.

Mina the Hollower também se destaca pela sua vasta diversidade de modificadores, que oferecem uma acessibilidade notável, permitindo ajustar a dificuldade tanto para jogadores casuais quanto para veteranos. Além disso, existem modificadores visuais que alteram a paleta de cores do jogo, remetendo a clássicos como PC Engine e Game Boy Color, além de opções mais malucas, que mudam as cores a cada sala acessada ou a cada dano sofrido.

Também temos um arsenal de apetrechos que concedem passivas versáteis, alterando significativamente a exploração e o combate, com slots adicionais sendo desbloqueados ao longo da jornada. A exploração é um dos pontos mais fortes do jogo, instigando o jogador a continuar descobrindo os segredos do mundo, com uma sensação que remete bastante ao supracitado Zelda: Link’s Awakening.

A exploração de Mina the Hollower constantemente te incentiva a ir além. Fazia tempo que eu não ficava tão aficionado por um jogo 2D; a sensação de descoberta aqui é extremamente prazerosa e recompensadora.

As linhas de diálogo de alguns NPCs são um show à parte / Reprodução: Autor

A verdadeira mestra do chicote

O visual de Mina the Hollower é marcado por um forte estilo gótico vitoriano, com uma estética que lembra bastante Castlevania, inclusive com o chicote da protagonista remetendo ao clássico da Konami.

O título consegue apresentar a aparência de um jogo antigo, mas com a complexidade e as mecânicas da atualidade. A dedicação dos desenvolvedores é nítida em cada detalhe das quests, do mundo e da exploração. O mapa planetário é um dos biomas mais bem feitos do jogo e conta com um level design de cair o queixo.

Um dos pontos altos da experiência são as batalhas contra os chefes. Há uma enorme variedade de inimigos desse tipo, que vão desde rainhas corrompidas até um gigantesco kraken. O moveset dos chefes é impressionante, e alguns chegam a possuir duas barras de vida, oferecendo um desafio capaz de realmente tirar o jogador da zona de conforto.

Derrotar chefes concede passivas interessantes, como a habilidade de atrair moscas aliadas que atacam outros inimigos, adicionando ainda mais profundidade ao combate.

Uma ilha rica em detalhes, segredos cômicos e elementos extremamente interessantes / Reprodução: Autor

Conclusão

No fim das contas, Mina the Hollower se consolida como um projeto que honra suas inspirações enquanto constrói uma identidade própria extremamente sólida. A Yacht Club Games consegue equilibrar nostalgia e modernidade com precisão, entregando um jogo que vai além do apelo visual e se sustenta em mecânicas profundas, exploração recompensadora e um combate versátil e desafiador.

Mesmo com uma premissa narrativa aparentemente simples, o carisma dos personagens e a qualidade dos diálogos elevam a experiência, enquanto o level design inteligente e a variedade de sistemas mantêm o jogador constantemente engajado nesse mundo. O conjunto da obra impressiona pela consistência: da direção de arte ao design dos chefes, passando pela liberdade de customização da dificuldade, pelos visuais e pela riqueza de conteúdo, tudo contribui para uma jornada memorável. Mina the Hollower não apenas atende às expectativas criadas ao longo de seu desenvolvimento, como também se destaca como um dos exemplos mais refinados de jogos 2D modernos, sendo uma experiência essencial para fãs de jogos indies.

Mina the Hollower é um daqueles títulos que aquecem o coração, especialmente por mostrar que, em uma indústria tão maluca e inconstante, ainda existem pessoas trabalhando para entregar uma experiência feita com tanto amor e carinho.

Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela guillotine.agency e Yacht Club Games

Mina the Hollower
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