Infinitevania – Análise

Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)
Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)

O cenário indie brasileiro vem entregando cada vez mais jogos ambiciosos, e um dos nomes que mais chamou atenção nos últimos meses foi Infinitevania, projeto capixaba desenvolvido e publicado pela JHT Games.

O que começou como uma homenagem pessoal a Castlevania: Symphony of the Night amadureceu, ao longo de cinco anos de desenvolvimento, para um metroidvania interessante, com dublagem profissional em português e diversas vozes famosas da área da dublagem nacional.

Embarque nesta análise e venha descobrir muitos dos segredos da terra de Infinitevania!

What is a man? / Reprodução: Autor

Um chamado inesperado

A história se inicia com o nosso protagonista recebendo uma ligação do hospital, informando que finalmente sua mãe acordou de um coma que já durava há 2 anos. Ele corre para o hospital, mas no meio do caminho é sugado para dentro de um estranho portal.

Esse portal o larga diretamente no mundo de Infinitevania. De início, encontramos um suspeito ancião que nos explica que a única forma de sair dali é absorvendo o poder das criaturas mais poderosas deste mundo e, só assim, conseguindo destruir o núcleo do Infinitevania.

Desde os primeiros minutos, já dá para perceber que a história do game é bem superficial, servindo apenas como pano de fundo para a exploração e o combate, mas o desenrolar da narrativa me chamou bastante atenção, muito por conter alguns plot twists aqui e ali.

A variedade de espíritos dá um up absurdo no combate e na exploração / Reprodução: Autor

Em Ignarok a fé não salva ninguém

O combate é a peça central em Infinitevania, além de contar com uma movimentação incrivelmente fluida e satisfatória. O início do jogo, pode se dizer, é bem “arrastado” – principalmente no primeiro bioma, muito por conta da falta de algumas habilidades, o que passa uma falsa impressão inicial de que o jogo é algo cru e limitado. Mas, ao derrotar o primeiro chefe, ele já mostra suas primeiras facetas interessantes de combate.

A fluidez no combate e nas seções de plataforma impressiona, já que o jogo aparenta ter uma gameplay travada e lenta. Infinitevania se destaca pela sua fluidez e sensação de impacto: cada golpe transmite peso e uma resposta visual muito clara. Essa comunicação também acontece ao receber dano, com feedbacks visuais e de animação muito bem feitos. O resultado é um sistema simples, mas extremamente satisfatório, que funciona pela conexão direta entre ação e resposta na tela.

Ao derrotar cada chefe do game, desbloqueamos as mecânicas padrão de um metroidvania, como dash, pulo duplo, ataque carregado e várias outras.

Além de ter bastante inspiração em Castlevania e Blasphemous em relação ao combate e à ambientação, Infinitevania também bebe de Hollow Knight, utilizando a mesma mecânica dos amuletos, que aqui recebem o nome de espíritos. São diversos espíritos, sendo que alguns mudam completamente nosso gameplay, desde espíritos que fazem sua espada destruir projéteis inimigos a outros que nos agraciam com a maravilhosa Crissaegrim – uma baita referência ao glorioso Symphony of the Night.

E falando em referências, Infinitevania está cheio delas, com chefes confundindo nosso protagonista com um certo Alucard, um vendedor citando frases de um certo mercador de Resident Evil 4 e, o que mais me fez abrir um sorriso sincero, um pequeno trecho do mapa de cabeça para baixo.

Die monster! / Reprodução: Autor

Ciclo infinito

Os combates contra chefes são bem divertidos e alguns oferecem um certo desafio, mas, em sua grande maioria, os chefes possuem uma baixa variação de ações durante a luta, sendo que, depois de duas ou três tentativas, já conseguimos notar essa escassez.

Em questão de exploração, Infinitevania tropeça um pouco, já que possui apenas quatro biomas e, em muitos deles, existem diversos corredores que não se interligam a nenhuma outra área do mapa – algo que soa bem frustrante nas primeiras horas de gameplay, já que ainda não temos acesso ao teletransporte entre totens.

Por outro lado, o mapa é repleto de puzzles e segredos cuidadosamente espalhados, incentivando o jogador a explorar cada canto com atenção, desde passagens ocultas e áreas opcionais até desafios com hordas de inimigos.

A pixel art feita à mão é belíssima, junto com suas animações fluidas e muito bem detalhadas. Tiro o chapéu para as animações dos chefes, que são um show à parte.

A dublagem de Infinitevania se destaca como um dos seus maiores trunfos, elevando significativamente a imersão do jogador. O jogo conta com um elenco de peso, reunindo vozes bastante reconhecidas pelo público brasileiro, o que adiciona ainda mais personalidade aos seus personagens. Entre os destaques estão Ricardo Juarez, icônico como Kratos na franquia God of War; Luiza Caspary, que interpreta Ellie em The Last of Us; Beatriz Meinberg, voz de Freya em God of War; e Francisco Júnior, responsável pela voz de Sukuna em Jujutsu Kaisen.

Embora algumas participações do elenco de dublagem sejam mais pontuais dentro da narrativa – como é o caso de Luiza Caspary –, grande parte dos dubladores assume papéis de destaque e acompanha o jogador durante toda a jornada.

Hmmm… / Reprodução: Autor

Conclusão

Infinitevania deixa claro, desde os primeiros minutos, que nasceu como uma carta de amor aos grandes metroidvanias, principalmente Castlevania: Symphony of the Night, mas consegue construir sua própria identidade através de um combate fluido, uma movimentação extremamente satisfatória e uma ambientação cheia de referências.

Além disso, a presença de uma dublagem profissional em português, com grandes nomes da dublagem nacional, se torna um diferencial raro dentro do cenário independente brasileiro, trazendo ainda mais personalidade para a aventura e mostrando o cuidado que os desenvolvedores tiveram com o título.

No fim das contas, Infinitevania é uma homenagem feita de fãs para fãs, um metroidvania que entende suas referências, respeita suas inspirações e entrega uma experiência divertida e carismática. Com isso, o jogo mostra muito potencial e reforça que o Brasil tem talento e criatividade para criar aventuras capazes de conquistar jogadores além das nossas fronteiras.

Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela JHT Games

Infinitevania
7
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