Em uma indústria infestada de jogos idênticos uns aos outros e que copiam mecânicas a torto e a direito, ficamos extremamente empolgados quando surge uma experiência que vai totalmente contra essa maré, e esse é Denshattack!.
Fazer manobras de skate com um vagão de trem? Uma ideia que soa estúpida e genial ao mesmo tempo. Desenvolvido pelos espanhóis da Undercoders e publicado pela Fireshine Games e Boltray Games, Denshattack! é uma mistura de Crazy Taxi e Jet Set Radio com a série Skate, apresentando um cel shading maravilhoso e extremamente colorido.
Vem comigo nesta análise de um dos jogos mais criativos e viciantes de 2026!

Denshattack! é uma maneira de viver!
A história se passa em um Japão distópico, marcado por desastres climáticos e dominado por uma megacorporação poderosa chamada Miraido, que controla toda a infraestrutura ferroviária e exerce forte influência sobre a sociedade.
Nesse cenário opressivo, surge uma subcultura rebelde, em que diversas pessoas passam a usar linhas de trem abandonadas para praticar um esporte ilegal e extremamente radical: o Denshattack!, onde trens realizam manobras absurdas como se fossem skates.
Assumimos o papel de Emi, uma jovem comum que usa seu trem para entregar lámen. Em uma de suas entregas, acaba conhecendo Fernando – um pseudojornalista que faz fanzine sobre os Denshattackers e que fica impressionado com as habilidades de Emi no controle do seu trem, apresentando-a ao Denshattack!. Emi se apaixona pelo estilo Denshattacker de ser e começa a cruzar o país, desafiando diversos pilotos habilidosos.
O foco aqui não está em sua narrativa, mas, com o decorrer da história, percebemos que nada foi feito de qualquer maneira, já que o jogo possui personagens e linhas de diálogos muito bem trabalhadas.

Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma
Denshattack! impressiona por seu visual extremamente estilizado e, principalmente por sua gameplay. A adrenalina que esse jogo passa, a cada salto em rampa, a cada grind em um corrimão e a cada drift feito, é surreal. O game possui mais de 60 fases, e isso pode até soar absurdo, mas, pelo contrário, a diversão que Denshattack! proporciona faz com que todas as fases sejam concluídas em um piscar de olhos por conta de sua gameplay viciante e divertidíssima.
O jogo conta com três modos principais. O primeiro é o modo Exploração, no qual cumprimos de três a quatro objetivos, como entregar lámen para um determinado número de pessoas, derrubar uma árvore, entre outras tarefas. Há também o modo Pista de Manobras, em que é preciso atingir uma quantidade específica de pontos realizando manobras para concluir o desafio. Por fim, existe o Circuito de Corrida, no qual devemos terminar entre os três primeiros colocados. Esse último é um verdadeiro caos: além de disputar a corrida, podemos descarrilar os trens dos adversários ou simplesmente atropelá-los.
O looping de gameplay segue o padrão de jogos da franquia Tony Hawk’s Pro Skater, com diversas tarefas para cada pista, que são: pontuação, tempo, desafios individuais de manobras ou quebrar certos objetos, e os colecionáveis – que no total são três: latas de spray, rolos de filme e engrenagens.
Cada um desses colecionáveis serve para desbloquear itens importantes para um Denshattacker. Coletando latas de tinta, desbloqueamos diversas artes iradas para customizar nossos trens. As engrenagens servem para comprar novos trens – muitos deles possuem diversas passivas que podem facilitar ou dificultar a gameplay. Já os rolos de filme servem para desbloquear informações e curiosidades sobre algumas gangues de Denshattackers, chefes e histórias de algumas regiões, além de conter as carismáticas “crônicas de Emi”, nas quais a nossa heroína resume tudo o que aconteceu em uma luta contra um chefe de gangue Denshattacker, com muitos detalhes e bom humor.

Alguém pediu lámen?
Ao longo dos nove capítulos do game, somos apresentados a diversas mecânicas novas, que vão desde drift em paredes até uma troca gravitacional, em que usamos um ímã que faz nosso trem se prender a trilhos de ponta-cabeça. Sinceramente, fiquei impressionado com o fato de o jogo apresentar tanta mecânica e, mesmo assim, tudo ser tão simples de aplicar durante a gameplay.
Uma das primeiras mecânicas que vale a pena ressaltar é a Yaoyorozu, chamada carinhosamente por um dos personagens de “os 8 milhões de caminhos”. Esse nome resume muito bem essa mecânica, já que ela libera caminhos e atalhos alternativos durante a fase, duplicando a nossa pontuação e aumentando bastante a nossa velocidade. Para ativá-la, basta encher o medidor de energia com manobras.
A única ressalva que tenho em relação a Denshattack! diz respeito aos avisos sonoros de certas ações, que acabam se misturando com o som da música. Felizmente, é possível contornar esse pequeno probleminha aumentando o volume dos avisos e diminuindo a música nas configurações, sem que atrapalhe a experiência.

Denshattack é gritaria!
Me diverti muito durante as minhas 12 horas em Denshattack!, e o que mais me fez abrir um sorriso de orelha a orelha foram os Densha-duelos – as batalhas contra chefes. Elas são extremamente criativas e fora da caixinha – em uma você disputa uma corrida ao mesmo tempo em que luta contra um robô gigante rosa, já em outra você disputa uma partida de beisebol com outro trem enquanto corre pelos trilhos. São diversos Densha-duelos espalhados pelo game, um mais criativo do que o outro, sendo, para mim, a melhor parte da experiência de jogo.
Outro detalhe extremamente interessante em Denshattack! são os seus cenários, um mais lindo e insano que o anterior. Destaco aqui o cenário aquático, uma fase de tirar o fôlego, em que fazemos grind em peixes-espada e mandamos manobras sobre ondas em cima de um mega-barco.
Denshattack! possui um cel shading lindíssimo e cores extremamente vivas, que nos transportam para o início dos anos 2000. O game lembra muito aqueles títulos malucos da sexta geração de consoles, além de entregar um visual caprichado para cada personagem, deixando escancarado o perfil de cada um deles. Todos os personagens são muito carismáticos, principalmente a nossa Emi, uma adolescente simpática, bem-humorada e talentosíssima.
A trilha sonora é um dos grandes destaques do jogo. Com 80 faixas no total, composta por mais de 20 artistas diferentes, ela apresenta diversos estilos musicais que fazem toda a diferença na hora da gameplay, muito por conta do ritmo das faixas – o que aumenta consideravelmente a adrenalina na hora de fazer nosso trem rodopiar. Cara, tem punk japonês. Isso mesmo, punk japonês!

Menos papo, mais Denshattack!
Denshattack! é uma daquelas experiências que nos fazem entender o motivo pelo qual os videogames são tão especiais. Uma proposta como essa, com ideias tão criativas e uma mistura tão incomum de conceitos, dificilmente poderia existir em outra mídia. É uma aventura única, divertida e completamente fora do padrão. Independentemente de você ser fã de jogos de skate ou apenas alguém em busca de experiências inovadoras e surpreendentes, Denshattack! é um dos jogos indispensáveis de 2026.
Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela JF Games Agency, Fireshine Games e Boltray Games



