No início de 2026, pude experimentar diversas demonstrações no evento Steam Vem Aí, e foi assim que descobri e me surpreendi com Divinum. Devido ao foco no combate por meio de desafios e hordas de inimigos, a experiência me chamou a atenção pelo ritmo ágil e divertido.
Desenvolvido e publicado pela Sigil Games, Divinum é um hack ‘n’ slash em pixel art 2D com elementos de metroidvania, que mistura sessões de plataformas e muito combate. Vamos juntos, nesta análise, conferir toda a jornada de Fjør.

Herdeira do propósito sagrado
A trama de Divinum nos coloca em ação desde o início. Nossa protagonista, Fjør, recebe a missão de ir atrás da força maior que controla todos os mortos-vivos da ilha.
Durante o percurso, encontramos Klyssa, a oradora da morte, que nos desafia para uma luta. Ao final do combate, Fjør avista navios atacando sua aldeia e, ao chegar lá, é encurralada e capturada por soldados imperiais. Ela consegue escapar por pouco tempo, mas acaba em um beco sem saída, cercada pelos lacaios do império. De repente, uma força divina rompe o chão do local e envolve Fjør em uma aura para protegê-la da queda. Ao se recuperar, ela descobre que essa força é Ofsakor, o portador do sol.
Ofsakor explica a Fjør que ela é a jovem guerreira nascida sob o “Destino do Guardião” e que, por isso, está apta a empunhar sua lâmina do sol para expulsar todos os males da ilha.

Mantenha o equilíbrio
Desde o início, Divinum impressiona pelo seu sistema de luta. É rápido, frenético e muito responsivo, e aproveitamos isso o tempo todo, já que o jogo nos apresenta diversas sessões de combate, uma atrás da outra. Para ser sincero, isso não cansa, pois a cada área nova vamos desbloqueando novos movimentos e habilidades, que ampliam nosso leque de opções na hora de lutar.
O jogo possui runas que fornecem bônus passivos interessantes, que mudam completamente a forma de jogar – com o mesmo conceito dos amuletos de Hollow Knight.
Boa parte das mecânicas de Divinum é focada no combate. O parry é muito satisfatório e tem uma janela de ação tranquila e agradável, em que podemos defletir golpes de inimigos no solo e no ar, além de seus projéteis. Além disso, temos um dash aéreo que nos permite nos mover em oito direções diferentes, abrindo um leque a mais de possibilidades no combate.
Em Divinum, temos duas armas em nosso arsenal: uma lâmina de fogo, que causa bom dano e é versátil contra qualquer inimigo, e uma lança de raio, que causa pouco dano, mas tem ataques rápidos e precisos, sendo extremamente eficiente contra inimigos voadores.
A dinâmica entre as duas armas é muito satisfatória: conseguimos interligar seus golpes e fazer todo aquele malabarismo aéreo típico de um bom hack ‘n’ slash. Além disso, temos duas habilidades para cada arma, sendo uma de dano e outra de suporte, como escudos e recuperação de magia ou de vida.

A oradora da morte
Na parte de exploração, Divinum é bastante enxuto. Durante a aventura, encontramos monumentos de desafios, que se dividem em desafios de combate, nos quais precisamos eliminar todos os inimigos da arena em certo tempo, e desafios de aspiração – desafios de plataforma em que corremos contra o tempo coletando almas pelo caminho. Esses desafios são as partes mais legais da exploração, mas fiquei decepcionado com a pouca quantidade deles.
Com um combate tão divertido, seria interessante ter mais modos extras focados nele. Divinum até possui um pseudo “Blood Palace” (Devil May Cry), mas é bem curto e nem reúne toda a galeria de chefes do jogo. E, para um título com pitadas de hack ‘n’ slash, senti falta de mais movimentos de combate: mesmo podendo usar as duas armas e trocá-las durante a luta, o jogo é bem limitado nesse quesito.
O level design é simples, porém funcional – lembra muito o do recém-analisado SoulQuest, com muitas sessões de combate e algumas de plataforma aqui e ali. Para um metroidvania, Divinum é bem linear: sempre que você segue por um caminho, acaba esbarrando em um beco sem saída.
Isso não prejudica tanto a experiência, já que o jogo tem uma duração de, no máximo, seis horas – podendo se estender para oito ou dez, muito por conta da dificuldade elevada dos chefes do endgame.

Força e virtude
Divinum é um daqueles jogos que conquistam principalmente pela sensação de jogar. Seu combate rápido, responsivo e extremamente satisfatório faz com que enfrentar hordas de inimigos seja uma experiência divertida do início ao fim. A combinação entre as duas armas disponíveis, o parry, o dash aéreo e as runas cria boas possibilidades para experimentar diferentes formas de encarar cada situação, mesmo que o jogo pudesse oferecer uma variedade maior de movimentos e habilidades.
Por outro lado, fica a sensação de que Divinum poderia explorar ainda mais o potencial de suas próprias ideias. A exploração é bastante linear, os desafios são poucos e os conteúdos extras focados em combate são curtos, o que acaba limitando uma experiência que poderia ser mais robusta. Para um título que mistura elementos de metroidvania com a essência dos hack ‘n’ slash, faltou um pouco mais de liberdade e variedade para acompanhar a qualidade do seu sistema de combate.
Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela Sigil Games



