Moadra – Análise

Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)
Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)

O cenário de jogos independentes está a todo vapor, com vários títulos preciosos sendo lançados a cada semana. E, surfando nessa onda de preciosidades, fomos agraciados com o lançamento de Moadra. Apresentado lá em 2021, o jogo sofreu diversos adiamentos, até finalmente ver a luz do dia em 2026.

Desenvolvido e publicado pelo novato estúdio finlandês Gloomsoft, Moadra é um Metroidlike com temática de ficção científica e horror biológico, que não esconde em nenhum momento sua inspiração na consagrada série Metroid.

Vem comigo nesta análise de um dos Metroidlikes mais divertidos e satisfatórios de 2026!

Essa atmosfera sombria é um dos pontos altos em Moadra / Reprodução: Autor

Até que a praga nos liberte!

Iniciamos a aventura na pele da guerreira de elite Neera, a tenente Moadra Meras, que participa de uma grande expedição militar no planeta Protea VI. Trata-se de um planeta inóspito e esquecido, onde a missão é descobrir relíquias de seu passado ancestral e encontrar a figura de liderança de sua raça, a princesa Neera Amari.

Assim que o esquadrão Neera adentra a atmosfera do planeta, sofre um pouso forçado e violento por conta de uma tempestade de areia. Com isso, o esquadrão resolve se separar para analisar a fundo esse inóspito planeta.

Durante o reconhecimento, Moadra acaba encontrando a princesa Amari, mas a recepção não é das melhores, já que a princesa está corrompida e acaba derrotando a tenente Neera e arrancando seu braço. Mas esse não é o fim para Moadra: um de nossos colegas de esquadrão, o doutor Atael, nos ressuscita com uma tecnologia orgânica desconhecida do planeta Protea VI.

Moadra acaba servindo como uma cobaia, já que ninguém do esquadrão Neera entende muito bem essa tecnologia, que aparentemente provoca mutações na estrutura do DNA do hospedeiro, aperfeiçoando-o e, com o tempo, substituindo-o.

É nessa premissa que iniciamos nossa aventura em busca de vingança e de mais informações sobre o que é essa mutação.

Oh, meu Deus, não sobrou nada / Reprodução: Autor

Organismo vivo e sedento!

Desde o primeiro minuto em Moadra, é notória a fluidez das animações e da movimentação da personagem, com uma velocidade de movimento altíssima e saltos acrobáticos muito bem feitos. Também podemos mirar em 360°, o que dá uma sensação de liberdade incrível no combate.

Inspirado em Metroid, temos a clássica mecânica Morph Ball, em que viramos uma bola e podemos rolar para acessar locais estreitos e desviar de inimigos. Além disso, temos um Servo-Robô para nos ajudar na exploração. Ele escaneia lugares com uma visão de raio-X, identificando passagens ocultas e dando mais informações sobre o mundo. Essa mecânica do Servo-Robô é essencial do início ao fim do game e me salvou diversas vezes, quando eu estava andando em círculos por uns quarenta minutos, sem saber para onde ir.

O arsenal de Moadra é bem robusto. Temos, no total, seis armas de Protoplasma, cada uma mudando completamente a abordagem no combate. É o caso da arma de raio Lanciforme, que é muito útil durante a exploração, já que projeta uma lança capaz de atravessar paredes, permitindo dar cabo daqueles típicos inimigos que ficam em uma posição estratégica feita somente para atrasar a gameplay.

As armas de Protoplasma são um dos destaques do jogo. Os upgrades delas podem ser redistribuídos a qualquer momento, e isso é ótimo, já que podemos testar diversos protoplasmas e utilizar novas estratégias em certos caminhos e contra chefes.

Dentre essas Protoarmas, adorei usar, durante boa parte da gameplay, a Raio Metralhadora, uma arma com alta cadência de tiro, mas com dano equilibrado, que faz toda a diferença contra hordas de inimigos e em sessões de bullet hell.

Aura! / Reprodução: Autor

Nesta terra nascemos, nesta terra morreremos!

Moadra possui diversas habilidades úteis tanto no combate quanto na exploração, que vão desde um Protopulso – um ótimo aliado nas sessões de bullet hell do game, já que sua onda de energia destrói os projéteis dos inimigos ao seu redor – até um Hiperarranque, um dash super satisfatório que causa dano ao entrar em contato com inimigos e quebra defesas e escudos.

Outro fator muito importante na gameplay de Moadra é o Bioplasma, a mana da personagem. Para utilizar todas as habilidades de Moadra, precisamos desse recurso e, sinceramente, não achei essa uma boa escolha. No início do game, temos uma escassez gigantesca de Bioplasma, tanto dos recursos que encontramos durante a exploração quanto, principalmente, dos que são deixados pelos inimigos. Isso pode afastar muitos jogadores novatos no gênero, muito por conta da alta dificuldade nas primeiras horas de gameplay.

O mapa é tão colossal que não cabe em uma screenshot / Reprodução: Autor

Não somos uma ameaça para ti, mas a todos

Um dos maiores trunfos de Moadra é seu mapa. É incrível como ele é gigantesco e fascinante, ao mesmo tempo que ameaça o jogador por sua escala e o intimida com ela.

Moadra é o típico jogo que não te pega pela mão em nada – e fico dividido em relação a isso. O jogo apenas dá dicas sobre o objetivo e, caso você não tenha prestado atenção a certas falas dos personagens ou não tenha decorado o nome de alguns locais do mapa, com certeza ficará perdido nesse imenso mundo.

Nesse caso, achei bem sacana por parte dos desenvolvedores esconderem tanto o caminho para certas missões principais do jogo. Além disso, o fato de o mapa não mostrar permanentemente os nomes das áreas é um grande problema, fazendo o jogador perder bastante tempo para encontrar locais já explorados. Acredito que atualizações futuras possam corrigir esses problemas.

Servo-Robô na prática, uma mecânica muito bem feita em Moadra / Reprodução: Autor

O reino dos Neera merece prosperar

Moadra possui um visual incrível, tanto em suas fases quanto nos personagens, remetendo muito ao visual de filmes como Alien e, principalmente, Predador. O design das criaturas e dos chefes é incrível, com diversos monstros bizarros e grotescos!

Em relação às lutas contra chefes, elas são sensacionais. Em sua grande maioria, são praticamente sessões puras e satisfatórias de bullet hell. Mas senti que faltaram mais lutas em Moadra, já que os desenvolvedores acertaram muito a mão nos confrontos, que deixaram aquele gostinho de quero mais.

Dentre as lutas contra chefes, gostaria de destacar a luta contra o Ulgoro. É um confronto em uma arena oval que mescla um terreno cheio de espinhos com uma área aquática repleta de armadilhas. Nela, corremos de um monstro colossal, desviando das armadilhas e dos tiros do chefe. É quase uma espécie de luta de run and gun, que faz o jogador usar todo o arsenal que tem à disposição.

Moadra chega totalmente legendado em português, contando com uma localização de excelente qualidade, proporcionando uma experiência mais imersiva e acessível ao público brasileiro.

Vai mergulhar aí mesmo? / Reprodução: Autor

Backtracking, muito backtracking!

Moadra é uma daquelas surpresas que fazem valer a pena acompanhar o cenário indie. A Gloomsoft conseguiu construir um Metroidlike que entende muito bem suas inspirações, entregando uma exploração gigantesca, um combate fluido e um arsenal de armas e habilidades que tornam cada confronto uma experiência extremamente satisfatória. Tudo isso acompanhado de uma direção artística impressionante, criaturas grotescas e batalhas contra chefes que estão entre os pontos altos da aventura.

A escassez de Bioplasma nas primeiras horas pode tornar a progressão frustrante, enquanto a falta de orientações mais claras e alguns problemas na identificação das áreas do mapa acabam transformando a exploração em uma tarefa um pouco cansativa. São obstáculos que, em determinados momentos, prejudicam o ritmo do jogo.

Moadra é uma experiência que merece a atenção dos fãs de metroidvanias, especialmente daqueles que procuram um desafio maior e sentem falta de aventuras com uma atmosfera de ficção científica e horror biológico. Apesar de alguns tropeços no balanceamento e na navegação pelo mapa, o jogo acerta em cheio no combate, na construção de seu mundo e nas batalhas contra chefes. A Gloomsoft entrega uma aventura ambiciosa, divertida e repleta de potencial, que já se consolida como uma das experiências mais interessantes do gênero em 2026.

Esta análise é baseada na cópia de PC fornecia pela Gloomsoft

Moadra
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