SoulQuest – Análise

Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)
Douglas Souza Dos Santos (@Cliffburtonildo1)

Muitos títulos de sucesso nesta indústria trazem consigo inspirações de jogos já consagrados; muitos os expandem, enquanto outros apenas prestam homenagens. SoulQuest é um desses títulos que prestam homenagem a um gênero e que nos entrega uma visão diferente de um hack and slash, mesmo em um sidescrolling 2D.

Desenvolvido pela SoulBlade Studio e distribuído pela indie.io, SoulQuest é um hack and slash em pixel art e plataforma 2D, com temáticas célticas e fortes inspirações em Devil May Cry. O game traz muito daquele feeling gostoso do combate de DMC para o estilo plataforma 2D, com muitos combos, variações de movimento e muito estilo.

Embarque nesta análise e venha combar hordas e hordas de inimigos para, juntos, aumentar nosso ranking de estilo.

I am the storm that is approaching / Reprodução: Autor

A matadora de deuses

Iniciamos na pele de Alys, uma experiente cavaleira que luta ao lado de seu poderoso marido, Gwydre. Gwydre possui uma força colossal e um passado misterioso, do qual Alys conhece apenas uma fração.

Logo de início, a cidade de Sanhain é atacado por uma horda de monstros, liderada por um fortíssimo demônio. Gwydre acaba se sacrificando para conter essa grande ameaça e, assim, salvar toda a cidade com um ato heroico. Alys fica desolada com a situação de seu marido e, após todo o caos instaurado em Sanhain, encontramos um druida pedindo nossa ajuda. Ele acaba nos dizendo que, em nosso reino, existem entidades capazes de manipular almas e que, com isso, podemos trazer nosso amado Gwydre de volta.

Sem pensar duas vezes, Alys parte em busca do panteão de deuses celtas, alimentada pela perda de seu marido e pela promessa de uma maneira de trazê-lo de volta à vida.

Sua história é bem simplória e cumpre bem seu papel, deixando brilhar aquilo que mais importa no título: o combate.

Estilo é para poucos! / Reprodução: Autor

Smokin’ Sexy Style!

Como SoulQuest tem muita inspiração em DMC, já é esperado que seu foco total seja o combate, e nessa parte o jogo brilha de verdade. Em questão de combos, SoulQuest está muito à frente de vários títulos independentes que abordam esse gênero. É incrível como os movimentos de Alys – tanto com a espada quanto os de locomoção, como pulo duplo e dash aéreo – se encaixam perfeitamente com boa parte do arsenal da nossa cavaleira. Temos várias opções de combos interessantes e, ao longo da jornada, vamos desbloqueando finalizadores, que são ataques supremos com alto dano e que carregam conforme vamos subindo nosso rank de estilo. Fora isso, temos ataques mágicos de piromancia, criomancia e diversos outros, que são ótimos para lidar com hordas de inimigos e que carregam conforme vamos causando dano.

SoulQuest possui o mesmo sistema de grandes hack and slash da indústria, no qual precisamos comprar golpes para nossa personagem, abrindo, assim, o leque de possibilidades em seu combate. A parte boa aqui é que esses golpes não custam tão caro, e já próximo da sétima missão conseguimos comprar todos os golpes para Alys.

Ao final de cada capítulo, recebemos uma nota relacionada ao tempo de conclusão, combos e quantidade de mortes – sendo que a régua de tempo para a nota “S” é bem curta, forçando o jogador a terminar a fase no limite. O game também possui a famosa classificação de estilo, que aqui vai da nota D até o SSSS – isso mesmo, os desenvolvedores colocaram mais um S de estilo.

Como todo bom hack and slash, temos os inimigos mais fracos, que servem como saco de pancada para o jogador combar no ar de forma fácil e divertida, e também existem os inimigos mais fortes e pesados. Em SoulQuest, eles possuem uma barra de estamina que, quando chega a zero, os torna vulneráveis aos seus combos por um breve período de tempo.

Em relação à variedade de inimigos, o jogo possui poucas opções, muito por conta de seu escopo reduzido de fases. Para ser sincero, isso não atrapalha em nada, já que a grande maioria dos inimigos é bem-feita e divertida de combar.

Tá pegando fogo, bicho! / Reprodução: Autor

Alys Must Die!

SoulQuest tem comandos muito responsivos na questão do combate, principalmente nos pulos duplos e dashes aéreos, mas, quando chega à área de plataforma… a experiência é bem sofrível. Isso acontece muito por conta do tempo de resposta de Alys a algumas ações nesses momentos e também pelas armadilhas espalhadas nessas seções – além de existirem algumas plataformas pelas quais a personagem atravessa, causando muita frustração.

Outro fato muito interessante do game é a facilidade de seus comandos de combo. Eles não chegam a ser tão simples, mas são de fácil memorização, o que torna tudo mais trivial no combate e abre as portas para muitos novatos no gênero.

Mas nem tudo soa tão bem em SoulQuest: seu level design é bem questionável, e as primeiras cinco fases são um verdadeiro inferno, a ponto de o jogo te colocar em um softlock bizarro.

SoulQuest meio que te força a refazer diversas fases para acumular XP e comprar novos golpes e melhorias de vida para a personagem, já que força a barra em muitos momentos, com diversos inimigos que causam um dano muito alto – mesmo em uma dificuldade mediana. Isso me passa a impressão de que muitas fases foram feitas para se adaptar ao jogador que já tenha todos os finalizadores e magias desbloqueados. Nesse caso, porém, acho isso um erro grotesco, já que esses finalizadores e magias são desbloqueados em missões muito avançadas do game, o que torna as primeiras horas de SoulQuest frustrantes.

Um momento de reflexão em meio a todo o caos / Reprodução: Autor

Jackpot!

Outro ponto forte de SoulQuest são suas batalhas contra os chefes, que são bem interessantes, mas seguem todas o mesmo padrão: primeiro precisamos zerar a barra de postura do chefe para, só então, causar dano nele. Além disso, também é possível combar os chefes no ar no momento em que essa barra de postura é quebrada. Existem diversos chefes no game, com move sets fáceis de ler, mas que, em dificuldades superiores, podem se tornar algo bem desafiador. Também podemos brincar e testar novos combos em “O Vazio”, um cenário no qual podemos configurar os inimigos a nosso bel-prazer, permitindo testar e expandir nossos combos o quanto quisermos.

Ao zerar o game pela primeira vez, liberamos o Desafio do Caos, uma arena de 100 níveis repleta de hordas de inimigos. Também liberamos o Desafio dos Chefes, um boss rush bem divertido e desafiador. Me peguei jogando esses dois desafios por horas, muito por conta do combate divertido e viciante. O leque de possibilidades para combar inimigos no ar me impressionou bastante. Só senti falta de uma mecânica de jumping cancel para golpes aéreos e também de arenas um pouco maiores, para dar aquela sensação de maior liberdade ao jogador, mas entendo que, para um jogo 2D, isso possa ser um limitador.

A pixel art de SoulQuest é linda e possui cores muito vivas, o que realça bastante os cabelos das personagens femininas. O game possui diversas referências e temáticas ligadas aos contos celtas, que vão desde inimigos comuns até deuses da mitologia. O que destoa bastante dessa temática são seus biomas, que não combinam muito bem com a proposta, incluindo até um laboratório futurista, algo bem aleatório.

Alys não está para brincadeira! / Reprodução: Autor

Uma carta de amor para todo fã de Devil May Cry

SoulQuest é aquele tipo de jogo que entende exatamente onde quer brilhar e não hesita em colocar todos os seus esforços nisso. Seu combate é, sem dúvida, o grande destaque, entregando uma experiência estilosa, fluida e muito satisfatória, que consegue capturar a essência de grandes nomes do hack and slash, mesmo dentro das limitações de um sidescroller 2D.

Por outro lado, o jogo tropeça em aspectos estruturais importantes. O level design inconsistente, os problemas nas seções de plataforma e o balanceamento questionável nas primeiras horas acabam criando uma barreira de entrada desnecessária, especialmente para jogadores menos experientes. Ainda assim, quando todas as engrenagens de seu combate profundo funcionam em conjunto, SoulQuest mostra seu verdadeiro potencial e se torna viciante.

No fim, SoulQuest é uma homenagem competente e apaixonada de um fã ao seu gênero de jogos favorito, acertando em cheio no que mais importa para esse tipo de jogo: o combate. Para fãs de combates estilosos e sistemas profundos de combos, é uma experiência que, apesar de alguns tropeços, definitivamente vale muito a pena.

Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela indie.io

SoulQuest
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