Bubsy 4D – Análise

Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)
Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)

O ano é 2026, e estamos recebendo um novo Bubsy no estilo 3D antes do retorno de franquias como Jak and Daxter, Sly Cooper, Banjo-Kazooie e Ape Escape. Charles, o mundo não é mais o mesmo.

Bubsy 4D é a mais nova entrada na franquia do bobcat mais infame do planeta. Desenvolvido pelo pequeno estúdio indie Fabraz, conhecido por platformers incríveis como Demon Turf e Demon Tides, e publicado por ninguém menos que a Atari, o título marca o retorno de Bubsy ao 3D desde… bem, o próprio Bubsy 3D, um dos piores platformers da história, mas que, não ironicamente, ajudou a definir o gênero – e foi onde eu criei um certo carinho pela franquia.

Sua demonstração estava disponível no PC desde outubro de 2025, e aqueles que a conferiram certamente puderam sentir o quão especial é esse jogo, em todos os aspectos. Bubsy 4D é, com muita folga, o melhor jogo da franquia, e conseguiu trazer de volta aos holofotes um personagem que, embora odiado por muitos (vocês são canalhas), é icônico para a indústria de games.

Confira comigo mais detalhes sobre um dos possíveis melhores platformers do ano!

Novelo dourado

Ao iniciar Bubsy 4D, tive uma surpresa (nem tanto, já que joguei a demo): tecnicamente, ele é uma sequência de Bubsy: The Woolies Strike Back, de 2017, jogo em que foi introduzido o objeto favorito de Bubsy: o Golden Fleece – um novelo de lã dourado. Naquela vez, Bubsy teve seu novelo roubado pelos Woolies, tradicional raça alienígena e inimigos históricos da franquia. Ao derrotar as icônicas irmãs Poly e Ester, Bubsy recuperou seu novelo, e o jogo enfim acabava.

Agora, o Golden Fleece volta a ser o tema central, mas o inimigo é outro. Os Woolies roubam todas as ovelhas da Terra, mas seus planos dão errado após os ovinos se rebelarem, tomando toda a tecnologia Woolie, seus planetas e formando os temidos Baabots. Dessa vez, são as ovelhas que roubam o novelo de Bubsy, fazendo com que nosso bobcat favorito parta em uma jornada interplanetária ao lado de seus sobrinhos Terry e Terri, seu amigo Virgil, e a menina que tem um crush não correspondido por ele, Oblivia, a fim de recuperar seu amado objeto.

Como esperado não só de Bubsy, mas de jogos de plataforma em geral, sua história não é grande coisa e serve apenas como pano de fundo para combatermos os Baabots e reunirmos fragmentos do Golden Fleece. No entanto, devo elogiar todos os personagens presentes no game, sejam os principais ou os Woolies e Baabots secundários encontrados nas fases. As personalidades são incríveis e exageradas, transmitindo todo aquele tom caricato e, de certa forma, cringe que Bubsy sempre teve – mas agora de forma natural, sem soar forçado como em jogos anteriores da franquia. Terry é um garoto bobinho, Terri é uma garota que não tolera o cringe do tio, Virgil é mais racional e sempre tira sarro da burrice de Bubsy, e Oblivia não se cansa de errar o nome do bobcat para irritá-lo. No fim, parece que todos odeiam Bubsy, mas tudo não passa de uma ótima comédia.

A turma do barulho / Reprodução: Autor

Momentum: The Game

Quem já havia conferido a demo sabe muito bem que Bubsy 4D é um platformer momentum-based, isto é, um jogo em que o embalo e velocidade acumulada do personagem são parte central da gameplay. Bubsy pode saltar, planar, lançar-se no ar, virar uma bola de pelos, escalar paredes e atacar inimigos – que não marcam grande presença. A chave da movimentação está na mistura dos movimentos de salto, planagem e avanço no ar para as plataformas, e a transformação na bola de pelos para rolar de forma rápida pelo mapa. Alcançar o tempo-objetivo das fases é um verdadeiro desafio, que certamente vai agradar os speedrunners, mas deixar casuais de cabelo em pé – embora valha destacar, não é algo obrigatório. Em geral, Bubsy 4D lembra uma mistura curiosa de Mario e Sonic, combinando características-chave das duas franquias para criar uma movimentação deliciosa e que irá agradar a todos os públicos.

T-pose, baby / Reprodução: Divulgação

Também vale destacar a presença de um leaderboard por fases, no qual podemos competir contra o fantasma de outros jogadores e registrar nossos melhores tempos – algo essencial em jogos do gênero e que, novamente, cai como uma luva para a comunidade de speedrun.

Se você não é dos melhores nas plataformas, saiba que nem só no tempo Bubsy 4D vai lhe desafiar. As fases são muito bem construídas e apresentam múltiplos caminhos em determinados momentos, possibilitando coletar novelos de lã, utilizados para comprar roupinhas; blueprints, que servem para aprimorar nossos movimentos; medalhas por bater o tempo da fase; e pedaços do Golden Fleece, que são indicativos de que a fase foi concluída. A presença dos coletáveis não só diversifica o jogo, como também torna o fator replay mais divertido, já que o jogador terá que repetir as fases para encontrar todos os itens, decorar o melhor percurso e conquistar o melhor tempo.

É claro, nem tudo na jogabilidade de Bubsy 4D é perfeito – e jamais seria, afinal, ainda é um Bubsy. Em determinados momentos, principalmente durante escaladas, não é incomum a câmera perder o foco do Bubsy e exibir a construção do cenário na qual estamos interagindo. Além disso, o controle da bola de pelos é “engraçado”, e leva tempo para se acostumar com sua movimentação, especialmente no que tange à aterrissar o Bubsy no lugar certo após um salto.

Em suma, Bubsy 4D oferece uma gameplay acessível tanto à jogadores casuais no gênero plataforma quanto aos hardcores, entregando diversão das mais diferentes maneiras a todos os públicos e desenvolvendo um momentum que poucos jogos do gênero conseguem aplicar atualmente.

Who invited my man blud / Reprodução: Autor

Hello twerps

Bubsy 4D oferece um total de três planetas distintos, com temáticas como lã, papelão e lixão eletrônico. Todos são bonitinhos e fazem ótimo uso de uma estética colorida, embora, em termos de jogabilidade, o planeta lixão deixe a desejar por abusar de plataformas altas, o que pode atrapalhar o flow. Curiosamente, o jogo me lembrou bastante a franquia LittleBigPlanet em alguns aspectos visuais.

Cada mundo abriga um total de cinco fases, sendo a última uma batalha contra um chefe Baabot. Além disso, cada fase possui 150 novelos e uma blueprint para coletar. Embora os mapas não sejam grandes, eles oferecem um ou outro caminho alternativo, onde geralmente podemos encontrar a blueprint, além de alguns novelos escondidos.

Fat Bubsy / Reprodução: Divulgação

A trilha sonora que nos acompanha é divertida e carregada de tons mais swing, embora seja difícil definir exatamente seu gênero. Não chega a ser excepcional, mas é agradável o suficiente para tocar ao fundo enquanto jogamos.

Não só isso, o voice acting do jogo é muito bem feito, representando com perfeição a personalidade exagerada de cada personagem. Senti falta uma presença maior das vozes, que só podem ser ouvidas em cenas específicas que desenvolvem a história.

Infelizmente, não há opção de Português do Brasil no game. Isso não chega a ser um grande problema para mim, especialmente quando levamos em conta que a história não é – e provavelmente nunca será – o ponto forte de Bubsy. No entanto, considerando que a Atari é a publicadora envolvida com o título, fica a sensação de que poderia haver um esforço maior no quesito localização.

Cringe. / Reprodução: Autor

What could pawsibly go wrong

Nos últimos anos, tive contato com boa parte dos jogos da franquia Bubsy, com exceção das versões de Atari Jaguar e Game Boy. Se me dissessem, naquela época, que eu daria uma nota positiva para um jogo da série, eu chamaria essas pessoas de loucas. Mas cá estamos.

Bubsy 4D é uma experiência gostosinha de se jogar, com um humor divertidíssimo. Com uma jogabilidade precisa, incrementada por um ótimo momentum, personagens carismáticos e uma estética charmosa, o jogo coloca um dos mascotes mais infames dos videogames de volta aos holofotes – e, se tudo der certo, dessa vez é pra ficar.

A equipe Fabraz conseguiu, novamente, entregar um platformer de altíssimo nível e, apesar de algumas questões a serem aprimoradas aqui e ali – em certos casos, sem relação direta com o estúdio –, é inegável que estamos diante de um dos melhores jogos de plataforma de 2026.

Esta análise é baseada na cópia de PC fornecida pela Plan of Attack e Atari

Confira também a nossa análise em vídeo abaixo:

Bubsy 4D
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