Hideo Kojima lamenta fim da mídia física e alerta para futuro dominado pelo streaming de jogos

Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)
Gabriel Kreyssig Romualdo (@budabytett)

No primeiro dia de julho, a PlayStation chegou com uma bomba e anunciou que, a partir de 2028, os consoles da marca deixarão de receber novos jogos em mídia física, limitando-se apenas a títulos lançados em anos anteriores, no máximo com algumas reimpressões. A decisão caiu muito mal em meio à comunidade gamer, e grandes nomes e empresas da indústria deram suas opiniões sobre o caso, sendo Hideo Kojima um deles.

Durante o festival Il Cinema in Piazza, realizado na Itália, Kojima revelou que adquire mídias físicas com frequência, principalmente filmes e CDs de música, e se mostrou triste com a decisão da Sony. Em seu discurso, o produtor foi além da situação atual e comparou um possível futuro dos games ao cenário atual do streaming, no qual o acesso aos jogos passa a depender da disponibilidade oferecida por uma empresa – algo que já ocorre com o Xbox Cloud Gaming, por exemplo.

Confira a declaração completa de Hideo Kojima, traduzida para o inglês por Genki_JPN no X/Twitter:

“Como a produção vai terminar em 2028, isso tem a ver com videogames, mas eu cresci com a mídia física, então acho isso realmente triste. Atualmente, tenho comprado muitos Blu-rays, como diversos filmes, e também CDs. A situação é diferente para os jogos, já que eles são baixados para o disco rígido, o que significa que os dados do jogo permanecem no seu próprio hardware. No entanto, se no futuro tudo migrar para o streaming, isso deixará de ser o caso.

Nos serviços de assinatura por streaming, como Netflix ou Amazon, existe um servidor em algum lugar, e você basicamente só tem o direito de abrir a torneira; quando faz isso, os dados fluem até você. É assim que os filmes funcionam nessas plataformas, certo? Você não baixa os dados, apenas os acessa diretamente por meio de uma assinatura. E a consequência disso é que você não possui os dados de fato. Existem empresas que possuem esses servidores e permitem que você ‘abra a torneira’ mediante uma mensalidade. Porém, considerando os países, a política e as diferentes formas de pensar, é natural levar em conta a possibilidade de que, se houver alguma mudança, os dados armazenados ali deixem de ser distribuídos. E, se isso acontecer, você não poderá mais assistir aos filmes ou jogar os jogos de que gosta.

É isso que assusta.

Portanto, o que está acontecendo com os videogames em 2028 também pode acontecer com os filmes. Gostaria que todos tivessem isso em mente.”

O futuro descrito por Hideo Kojima parece mais próximo do que imaginamos. Afinal, serviços semelhantes aos citados pelo produtor já existem há alguns anos, embora ainda não tenham se tornado populares. No entanto, com a filosofia de “não sermos donos de nada” propagada pelas grandes corporações, a tendência é de um futuro cada vez mais sombrio, no qual a comunidade gamer se vê cada vez mais sem voz e sem poder para lutar contra as bizarras decisões que vêm sendo tomadas.

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