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Distribuição digital é o futuro?

Para quem não sabe, eu fui professor de Game Design. Aqueles que foram meus alunos, principalmente em algumas conversas que tivemos sobre mercado de games e o que seria do futuro.

Uma das coisas que eu insistia e, confesso, queimei a língua era que os consoles de nova geração não usariam mais drives, sejam de Blu-ray ou DVD, ou seja lá o que for. Me serve de consolo saber que eu não estava tão errado assim.

Na última semana, surgiram que rumores de que a Microsoft lançaria uma versão do Xbox One sem o drive de Blu-ray, na tentativa de baixar o preço do console para equipará-lo ao PlayStation 4. A informação ainda dizia que a empresa tinha cogitado lançar o aparelho sem o drive, focando apenas na mídia digital. Seria um grande passo, um passo ousado (como tudo relacionado ao XOne no início), mas digo e repito: faltaram colhões para a Microsoft em encarar a ira não apenas do público, mas também das revendedoras de consoles e jogos.

Só para que todos entendam bem, até o lançamento do primeiro Xbox, a Internet não era uma fator decisivo para os consoles. Tanto PS2 quanto GameCube tinham acessórios para acesso à Internet, mas foi o Xbox que trouxe a Internet para os consoles de forma definitiva e deu inicio essa intrincada revolução.

Porque revolução? Vamos lá. Antigamente, quando um jogo era desenvolvido, existiam 3 partes que faziam a divisão das vendas deste jogo. A primeira era a desenvolvedora, a empresa que efetivamente fez o jogo. A segunda é a publisher, a empresa que, em alguns casos, financia e custeia a prensagem, embalagem e distribuição do jogo. A terceira é a revendedora, aquela que efetivamente vende o jogo para mim e pra você.

Observando bem, vemos que as distribuidoras tinham um papel extremamente importante. Somente com as vendas nas lojas, tanto desenvolvedora quanto publisher recebiam o dinheiro pelo qual tanto trabalharam para entregar aquele jogo nas nossas mãos.

Hoje, com a distribuição digital, as revendedoras perderam sua importância quase que totalmente, já que não são mais necessárias para que tanto desenvolvedora quanto publisher vendam seus jogos. Pior, elas passaram de heroínas a vilãs com a venda dos jogos usados. Vilãs, porque apenas elas (e o consumidor) ganham com a venda de usados, deixando as publishers e desenvolvedoras fora da jogada e, consequentemente, não vendo a cor deste dinheiro.

Agora, observem que interessante. A distribuição de jogos físicos acaba sendo interessante para revendedoras e consumidores, mas ruim para desenvolvedoras e publishers.

E agora? Na verdade, não há dúvidas nesta questão. A distribuição digital vai ser o principal meio de vendas e ponto final. Porque? Porque interessa às desenvolvedoras e publishers, que comandam junto com as fabricantes de consoles o mercado de games. As revendedoras estão de fora deste jogo e isso é apenas questão de tempo. Afinal, é melhor dividir o bolo por 3 ou por 4? Só lembrando que as fabricantes de console também ganham com a venda dos jogos.

Mas e aí? Isso tudo é bom pra gente? De certa forma sim, mas de outras não. Vamos analisar. Quando você tem o jogo na caixinha, você pega o seu console, coloca o jogo nele e se diverte, fim de papo. O jogo digital tem uma série de restrições, que vão desde a impossibilidade de você levá-lo para jogar na casa de um amigo (a não ser que leve o console), até o fato de que, se você estiver em algum lugar sem internet, você não poderá jogar o jogo, se ele exigir autenticação.  A vantagem desta história toda é que, em teoria, o jogo deveria ser mais barato, pois não exigiria prensagem, embalagem, distribuição e teria um elemento a menos para dividir os lucros. Isso tudo, fora a pressão que as distribuidoras, que especula-se ser a razão para o jogo digital custar o mesmo que o jogo físico.

Inegavelmente, o futuro é a distribuição digital, gostemos ou não. Agora, o que devemos fazer como consumidores para exigir nossos direitos? Se antes eu podia jogar o jogo quando quiser, porque agora não posso mais? E quando os servidores de autenticação caírem, ou forem desligados, como vamos fazer?

Eu particularmente, não gosto da ideia de não poder usar o meu jogo quando puder, e você aí? Mas acho que não podemos fazer nada em relação a isso, ou podemos?

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Rodrigo de Souza

Game Designer, Professor e Pai (Não nessa ordem).
Gamer também, quando dá tempo.

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