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Creeping Terror (3DS e PC) – Review – ReVinha

Creeping Terror é  uma homenagem ao antigo modelo do gênero survival horror

 

Creeping Terror é um game de sidescrolling nos modelos mais antigos do gênero survival horror, onde o game impõem diversas limitações mecânicas afim de criar o máximo de tensão possível ao jogador, que vão desde uma movimentação atrapalhada do protagonista até delimitar seu espaço para itens no inventário. Seu desenvolvimento foi realizado pela novata Sushi Typhoon Games e distribuída pela Aksys Games, o qual teve lançamento fora do Japão no dia 31 de outubro (claro que não poderiam perder essa data) para Nintendo 3DS e PC Steam, somente em formato digital.

Creeping Terror traz uma história dentro de clichês do gênero (não só dos jogos, mas dentro do universo pop atual); um grupo de jovens resolvem explorar um local abandonado ao entardecer afim de fazer alguma atividade entre amigos, mas algo não planejado acontece, assim iniciando os eventos do jogo. Você controla Arisa, uma intercambista que resolve ir a uma antiga mansão da cidade com seus amigos Emily, Bob e Ken, que resolvem filmar as instalações “assombradas” para registrar algo mas acabam se separando quando o chão da antiga mansão cede. Com o grupo separado, Arisa se depara com uma criatura grande e  grotesca, o qual avança com todo o ódio que possui, usando uma pá como arma (apelidado carinhosamente de “Shovel Man”) que irá perseguir os jovens até o fim de sua aventura.

O game foi anunciado como Freak Out-Play Tag, e exatamente por ser um jogo de terror que possui “Nêmesis” (criaturas insensíveis que irão caçar o jogador até a morte) como principal forma de gerar tensão, este seria um nome óbvio demais! Shovel Man é a estrela de nosso jogo, o principal perseguidor de Arisa e seus amigos, sendo forte, rápido e totalmente brutal em seus movimentos, o tornando o vilão mais memorável em todo o game. Mas nem sempre ele estará a sua procura, deixando a cargo de outras duas criaturas com serviço de lhe caçar.

Apesar de intimidador, os inimigos que encontramos podem ser facilmente driblados com esconderijos e atordoados com alguns itens, necessário sangue frio nestes momentos que nos dão oportunidade de passar por eles sem o menor problema, além de contarmos com um breve quick-time event se formos pegos, fazendo Arisa resistir a ser levada. Mas quem dera que os problemas terminassem por aqui; os encontros com tais criaturas são totalmente roteirizados por algum objeto. Assim que encontrado o item necessário para o avançar da narrativa, uma neblina roxa surgirá, antecedendo a chegada de alguma criatura. Depois de encontrado, a perseguição é iniciada, onde sua prioridade provavelmente será correr, mas nossa protagonista é mais capaz do que isso, como já citei, cabendo a você saber lidar com cada situação.

Apesar de uma narrativa boba sobre alguns adolescentes sendo perseguidos por algo monstruoso, os arquivos e registros que podem ser encontrados durante a aventura compõem a trama, lhe situando um pouco mais no que aconteceu ali. São colecionáveis bem óbvios que se adquire conforme você vai conhecendo as instalações, que lhe fazem se sentir em um local labiríntico. Com o leva e traz de objetos afim de progredir ou de só abrir as vezes uma única porta, tornando o jogo tedioso (sabendo que nenhuma criatura irá aparecer antes do objetivo). A sua trilha sonora só é marcante em momento de perseguição; nos demais ela tenta criar um clima de tensão ao explorar os ambientes, mas acaba sendo pouco efetiva diante da previsibilidade do game, que se sustenta só em suas criaturas.

Arisa carrega consigo seu celular, e é necessário gerenciar sua bateria, já que é usado para iluminar o caminho e evitar que tropece em pequenos escombros, sendo crucial em momento de perseguição. Além disso nossa protagonista possui seis slots para itens consumíveis, sendo rações com as quais nos curamos, bateria externa para carregar seu celular e objetos para serem jogados para legítima defesa. Mas todos eles se tornam irrelevantes no momento no qual o jogo lhe dá a possibilidade de uma Safe Room, e nela você recupera sua vida e sua bateria sem gastar nada, facilitando mais ainda o game.

Com uma campanha que gira em média de 4 a 5 horas em uma primeira jogatina, seu intuito é ser realmente curto incentivando o jogador a buscar todos os seus quatro finais, os quais são definidos por ações em certos momentos da campanha, preenchendo certos requisitos para obter um final, mas que muitas vezes o jogo não deixa isso muito claro.

Com claras inspirações a survival horror icônicos, como o primeiro Resident Evil de PlayStation e Clock Tower para Super Nintendo, Creeping Terror é claramente uma grande homenagem e uma tentativa de resgate do antigo modelo do gênero de uma forma mais suave a novos jogadores, mas que acaba se sabotando naquilo que se propõem. Um game desse gênero no qual é totalmente calcado em perseguições, que ao mesmo tempo “dá” ao jogador recursos suficientes para que ele possa evitar passar por muita pressão. Isso destrói qualquer tensão criada, fazendo com que cada novo encontro com Shovel Man se torna mais bobo e irrelevante. A imersão dos cenários, da história e de seus personagens se perde em meio da padronização de situações e a facilidade em sair delas.

 

Sobre o Autor

Victor Voss

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